quinta-feira, 27 de maio de 2010

Cadê o bebê que estava aqui?

A Alemanha está em crise, os últimos dados mostram que o ano que passou teve a menor taxa de natalidade desde o pós-guerra. Teme-se um colapso do sistema previdenciário, se não começar um baby-boom pra ontem, não vai ter quem pague a aposentadoria da próxima geração. O problema é sério mesmo e os políticos não sabem mais o que fazer pra incentivar o povo a ter filhos. Soma-se a isso o fato dos estrangeiros, leia-se mulçumanos, que procriam três, quatro ou mais vezes e estabelece-se o caos, para eles. A edição de domingo do Hamburger Abendblatt foi praticamente toda dedicada ao assunto. A ex-ministra, responsável pelos projetos de aumento do número de creches e do Elterngeld, que é uma quantia que se recebe durante os primeiros 14 meses de vida do pimpolho, não sabe explicar porque suas ideias não deram resultado pra incentivar os alemães a procriarem.

Eu pessoalmente tenho por teoria que quanto mais rico e inteligente um país, menor será sua taxa de natalidade com o passar do tempo. E não digo isso pra chamar os alemães de inteligentes, simplesmente porque quem estuda mais tempo, tem projetos de construir uma carreira e deixa filho pra mais tarde. Aí me refiro naturalmente às mulheres. Quando o relógio começa a bater, muitas já não conseguem engravidar por questões meramente fisiológicas. Além disso, quanto mais informação e formação o indivíduo possui, mais ele pondera o custo, o trabalho e as implicações de ter um filho, e muitos desistem nessa ponderação. Outros simplesmente escolhem não ter filhos, uma decisão realmente pra quem pode arcar com os custos de métodos anticoncepcionais por mais de 30 anos.

Mas o que o governo não vê é que apesar de tudo, o grande problema da queda da taxa de natalidade é a dificuldade das mulheres de conciliar profissão e maternidade. Aqui é ostensivo o incentivo para que a mulher fique em casa cuidando dos filhos, o casal onde os dois trabalham paga quase 60% do salário bruto de um deles, para o imposto de renda, quando se tem um filho. Por mais amor à profissão que se tenha, o bolso fala mais alto e a maioria opta por abrir mão do emprego, quase sempre, senão 99% das vezes, no caso, as mulheres.

E convenhamos, quem é que decide quando é a hora de ter filhos? O cara pode querer, o marido pode babar, mas enquanto a mulher não quer, ela não tem. Então, num mundo moderno onde elas querem direitos iguais e querem desenvolver a massa intelectual, nada mais óbvio que elas avaliem melhor e pesem os prós e contras da maternidade em prol da vida profissional.

É claro que ainda estamos longe de achar um modelo perfeito, sempre tem que se abrir mão de alguma coisa. No Brasil, minhas amigas mal vêem os filhos e delegam a terceiros a educação dos mesmos. Têm filhos quase que por uma obrigação social, afinal assim somos nós brasileiros, movidos pela emoção. Os alemães, mais racionais, ponderam e estão escolhendo não ter, porque na ponta do lápis não é um negócio vantajoso.

Com isso a população está envelhecendo e não está se renovando na mesma proporção. Andando pelas ruas de Hamburgo a gente já nota que o número de idosos é muito maior do que os de jovens e isto é uma tendência que já vem de anos.

Mas quando se fala em criança por aqui, geralmente torce-se o nariz e quem mais reclama são justamente os mais velhos.

Sinceramente, tem horas que não entendo esse povo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá te achei pelo blog da liza delirantemente feliz> Li sobre isso no jornal do estado de sp ou folha (nao me lembro exatamente) semana passada e ainda usaram a expressão Rabenmutter.

Ma disse...

Olá Mary,

Pois é, as mães que trabalham e deixam seus filhos com terceiros são consideradas desnaturadas aqui (Rabenmutter) e depois os brasileiros é que são machistas... Eu acho que é dever da mãe sim cuidar do filho, mas acho que pode se achar um equilíbrio entre maternidade e profissão, não precisa deixar a criança o dia inteiro na mão de outro mas também não precisa ficar 24h colado no filhote. O difícil é conseguir isso. Abraço.