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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mazelas

Boletim médico:

Intimada pela obstetra, marquei consulta com o HNO, o otorrinolaringologista em versão gramatical excepcionalmente simplificada pelos alemães. Aí que seu doutor, com a sala de espera lotada, me diagnosticou com uma baita sinusite, fez ultrassom e os seios da face estãp todos congestionados. Contei que além de surda, perdi também olfato e o paladar e como já sou cegueta de nascença, a vida ficou bem sem graça nas últimas semanas. Compadecido, prescreveu-me antibiótico, que eu também gostaria de poder evitar, mas tenho noção que atualmente a relação custo-benefício já chegou no ponto em que nebulização e chazinho não dão conta mais. Ainda ganhei na receita a prescrição de uma parafernália pra lavar o nariz, a tal nasendusche, com uma solução salina, mas que de tão entupida que estava, fracassei na primeira tentativa. Fui corajosamente pra minha aula à noite e ganhei uns esparadrapos cor da pele em pontos específicos de acupuntura de uma colega pagé e voltei pra casa literalmente com cara de índio. Ainda bem que no escuro, todos os gatos se parecem.

Agora mudando de assunto, o incêndio na cidade do samba. Fico com pena do trabalho perdido de tanta gente, mas ler na capa do jornal online que o prefeito promete reconstruir ainda esta semana a Cidade do samba ( que eu até então desconhecia a existência) me causou um certo incômodo. Li ainda que a estimativa é de que a Grande Rio tenha perdido 9 milhões em alegorias.

Agora a pergunta que não quer calar? É o prefeito que banca isso? De onde vem esse dinheiro todo?

Mas o povo não quer só comida, quer diversão e arte.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Gosto amargo

Não é novidade, ano sim, outro também, todo verão tem-se notícia de chuvas fortes, deslizamentos, desabrigados e tragédia em várias partes do Rio de Janeiro. Sempre o povo se pergunta "Onde estão as autoridades?" Como pode acontecer uma coisa dessas sem ninguém ter aviso prévio antes? Nenhum serviço meteorológico avisou da possibilidade de chuvas tão fortes? Ou avisaram e os prefeitos ignoraram? E os bueiros entupidos, o desmatamento aleatório, a venda de terrenos a preço baixo em zonas desmatadas, casas contruídas em encostas, a lista não tem fim... Quando uma coisa dessas acontece não é culpa só de um, é culpa de todos, desde aquele que joga o papel do picolé no chão até o outro que tem a função de governar mas está mais preocupado com a campanha política. Mais de 500 mortos é um número muito alto pra uma cidade dita civilizada.

Mas o sol vai voltar a brilhar e o povo tem memória curta. Passam-se os meses, os vivos enterram seus mortos, a solidadriedade exercitada à força dá lugar ao carnaval e tudo vira samba. O lixo volta pras ruas, a propina pra aplainar aquele terreninho e construir uma casa na serra e ano que vem todo mundo assiste novamente o mesmo filme.

Fico triste com a destruição e com a perdas, mas maior ainda é a desilusão com meu próprio povo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Vivendo a vida

Como os últimos dias foram animados como descrevi no post abaixo, apesar da baixinha ter melhorado, ela não foi a escola e tivemos a variação pijama-sofá-televisão 24 horas ligada. Eis a vantagem de (não) trabalhar em casa.

Assisti ontem o último capítulo da novela Viver a vida e queria saber quem é que falou pro Manoel Carlos que ele retrata a realidade do Rio. Lembro de quando estava no Brasil ter assistido um capítulo onde a fisioterapeuta levava a pesonagem pra fazer exercícios no Jardim Botânico, cena bucólica, com a mãe e a irmã a tiracolo e depois saiam todas pra tomar um suco. Completamente fora da realidade, por acaso a fisioterapeuta era exclusiva dela? Porque eu quando atendia no Rio tive vários pacientes de classe média bem alta, até ricos mesmo, e nenhum deles tinha grana pra me bancar uma manhã inteira. Achei tão esdrúxula aquela cena. E a realidade da maioria das pessoas não é ter aquele aparato todo de enfermeira 24 horas até pra trocar calcinha, como a Luciana tinha. Poucos, muito poucos podem ter aquele luxo. Eu não acho que novela tem que mostrar desgraça, mas se a proposta do cara é retratar a realidade, pelo menos é como ele vende a ideia, tem que fazer direito. Coloca um personagem deficiente que realmente tenha que pegar ônibus e reaprender a ser independente indo até o centro de reabilitação ou consultório de fisioterapia, como a maioria esmagadora faz de verdade.

Os atores dão aquele ar de naturalidade ao texto decorado, mas é tudo tão blé que chega a dar nervoso. A tal da Helena nessa novela então era insuportável de chata e melosa. Aqueles dois marmanjos já pra lá dos 30, médico e arquiteto, morando com a mãe e agindo como se fossem adolescentes também foi de doer. Eu sei que no Brasil isso é comum, filho ficar na casa dos pais até casar, mas depois de uma certa idade eu já acho esquisito, principalmente se for homem.

É, mas eu meto o pau e mesmo assim gosssstei, porque mostrou cenas lindas do Rio que eu sinto saudades, do Rio bonito, das praias, do céu azul, povo passeando na orla... eu sei que não é também exatamente a realidade, mas deixo me enganar nessas horas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Impressões cariocas

O Rio em estado de calamidade pública, notícia em todos os jornais internacionais por causa dos estragos das chuvas. Todo ano é a mesma coisa, de quem é a culpa? O povo adora meter o pau no governo, mas é o primeiro a jogar papel de picolé na rua. E o que dizer daquele monte de gente nas esquinas de Copacabana distribuindo papelzinho, onde será que vai parar aquela papelada toda de " Compro-Vendo ouro", "Faço seu amor voltar"e cia? Precisa ser muito inteligente pra dizer que vão parar nos bueiros? O povo continua construindo em encostas...

Toda vez que vou a Rio tenho uma impressão diferente, quanto mais tempo longe, mais crítico fica meu olhar. Os pontos que listo abaixo foram escritos ainda quando eu estava lá, fui salvando pra não esquecer.

Das coisas que me chamaram a atenção:
- A lentidão das caixas de supermercado é de dar nos nervos;

- A quantidade de pessoas andando pelas ruas, muita, muita gente;

- Os preços exorbitantes inversamente proporcionais à qualidade dos produtos, achei tudo muito caro, roupa infantil então é um roubo e a qualidade péssima se comparada com as daqui;

- Os cheiros frescos e aromas da área de legumes e verduras dos supermercados;

- O volume alto de tudo, todo mundo fala alto demais, na rua todo mundo grita, a televisão é sempre no volume máximo, as salas de espera dos médicos têm televisão e algumas vezes rádio ligados também, o telefone tocando, as pessoas conversando (porque todo mundo fica amigo depois de dez minutos no mesmo ambiente) e a secretária consegue marcar horário e dar informaçôes no meio dessa barulheira toda. Impressionante.E extremamente cansativo também.

- As crianças são moreninhas de sol e em todas as vezes que fui à praia, não vi ninguém passando protetor solar :O São também mais musculosas do que as europeias, meu referencial infantil. Braços e perninhas já são delineados desde os dois anos. Achei isso muito curioso. E há uma malandragem no falar infantil, no comportamento. Várias pessoas amigas comentaram comigo que a Julia era diferente, parecia gringa, e não era pelo sotaque, que é muito suave nela. É algo que não dá pra explicar, um jeito mais formal de falar. Um dia na pra praia, o menino que estava brincando com ela na água levou um caldo e levantou todo esbaforido, virou pra Julia e disse : "Tu viu o porradão que eu levei? Tu viu?" E a Ju ficou com aquela cara de paisagem de quem não estava entendendo o dialeto carioca. É fato, tenho uma filha gringa.

- O despojamento carioca, adoro ver gente bronzeada (às vezes até demais como eu já fui e hoje não gosto mais) andando pra lá e pra cá de top e canga amarrada na cintura, desfilando aquelas sandalinhas H@v@i@n@s e a outra marca concorrente com nome de bairro da Zona Sul. É o luxo da simplicidade.

- Como tem gente que compra coisa em camelô e como eles se proliferam pelas ruas de Copacabana na velocidade da luz. Todos com torcicolo crônico de tanto olhar pra ver se o "rapa" tá vindo e provavelmente com a pressão arterial nas alturas do estresse que deve ser trabalhar assim. Infelizmente um problema social complicado.