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domingo, 6 de março de 2011

Tecnologia

Vejam bem, eu sou do tempo que telefone era patrimônio passado de pai pra filho como herança. E que pra falar com um pouco mais de privacidade a gente tinha que ter dois metros daquele fio enroladinho pra arrastar o aparelho pro outro cômodo da casa e torcer pra ninguém tropeçar nele. Do tempo em que o pai pão-duro da minha melhor amiga colocava cadeado no discador pra ela não ligar pra mim e levar a família a falência, mas que a gente driblava sem o papis saber porque ela sabia o truque de fazer a ligação batendo naquela paradinha onde a gente colocava o fone no gancho. Ah, e meu aparelho era vermelho super fashion, mas devia pesar uns 3 quilos.

Isso tudo tem pouco mais de 20 anos, ou será que até menos? Então eu ainda fico embasbacada quando consigo falar com a minha mãe pelo celular, sentada no banco do parquinho, aqui, a quilômetros e oceanos distantes da terra brasilis ainda por cima sem pagar um tostão via a invenção do século para imigrantes saudosos, o Skip&.

Adoro esse mundo moderno.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Antiguidade

Hoje perguntei à um casal de brasileiros que têm um menininho na mesma escola da Julia, se eles queriam umas fitas VHS de desenhos da Disney em português que a Ju não gosta mais. A cara de espanto deles quando eu disse a paleozóica palavra vídeo-cassete me fez quase pedir desculpas pelo atentado a era tecnológica de ainda possuir um espécime digno de museu.

Meu primeiro aparelho de vídeo minha mãe comprou quando eu tinha 14 anos, era um daqueles grandões, pesados e vindo diretamente da zona franca de Manaus por uma senhora que vendia no trabalho da dela. Eu fiquei tão realizada como se tivesse ganho na loto, porque pra mim naquela época, ter um vídeiocassete era aliás muito mais importante do que ganhar na loteria. E então que meu programa predileto com a melhor amiga era ir até a locadora da esquina e sair de lá carregada de comédias românticas e filmes de terror, o must da época.

Hoje quando lembrei disso me senti a anciã, e se for pensar que eu tinha vitrola, aparelho de som três em um com double deck pra gravar de fita pra fita, é claro, e fazer minhas coletâneas do rádio, o telefone tinha fio e celular então só fui ter depois da faculdade, cruzes, deprimo.

Mas era tão legal ir na locadora.