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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pergunta imbecil, resposta idiota

É um porre estudar pra prova escrita de motorista, mas tem umas perguntas que eu até me divirto. Dá uma vontade de ser politicamente incorreta quando leio essas perguntas...
Você quer ultrapassar na auto-estrada uma coluna rapidamente. Aí você é impedido por uma viatura que circula qualquer coisa mais devagar, o que o arrelia e frustra. Como se comporta você?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Maridão volta no sábado, finalmente. Não, ele não é caixeiro viajante, é cientista, gosta de brincar de professor Pardal e viaja lá pros cafundós da Suíça e entra num buraco sei lá quantos metros pra baixo da terra pra observar seus prótons viajarem na velocidade da luz. Se eu falei alguma besteira, depois ele vem aqui e conserta.

Ele me diz que está exausto e eu finjo que nem escuto, porque tenho planos de fazer minhas olheiras sumirem até o Natal e deixar ele vivenciar a paternidade em sua plenitude.

Então, eu já disse que tenho momentos diários de desespero em relação ao meu curso e tem horas que eu realmente não sei se vai dar, mas sigo em frente, desistir agora também não dá. Mas não sou só eu, tá todo mundo da turma beirando o desespero, o volume de coisas pra decorar e assimilar é totalmente insano e incompatível com minha capacidade de memória atual, leia-se saco-pra-sentar-e-estudar. Ontem tivemos aula de Gesetzurkunde, temos que aprender toda a regulamentação da profissão, o que pode e o que não pode, o que somos obrigados a fazer por lei em alguns casos. Por exemplo, se você vier ao meu consultório com dor de barriga e me relatar que sua família também está botando os bofes pra fora, eu não posso te atender e ainda sou obrigada por lei a notificar a secretaria de saúde da sua região, porque pode se tratar de uma epidemia. Isso só porque a maionese de batata que você comeu estava fora da validade. Não tive aula disso na faculdade do Brasil, tive Ética profissional, que não tem nada haver com leis. É aquela coisa, no Brasil o povo faz tudo no Gefühl (traduzindo seria, cada um faz o que bem entende conforme acha melhor na base do instinto mesmo). Se não temos leis nem pra dar jeito no faroeste caboclo, quiça irão ensinar nas escolas a regulamentação das profissões.

Mas alemão adora regras e leis, então que eu tenho que decorar uma lista de sei lá quantas bactérias que eu não posso nem chegar perto se o indivíduo me procurar e ainda todo o procedimento de isolamento do local e notificação às autoridades. A lei prevê até o procedimento em consultas por telefone, particulares ou visitas domiciliares, tudo tem que ser registrado, avaliado, rotulado se quiser voar.(se vc não entendeu a piada é porque tem menos de 36 anos).

Odeio decoreba, e em alemão com palavrinhas de meio metro fica tudo mais difícil.

Estou surtando.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Não foi 10, mas valeu como um

Minha mãe me perguntou se eu tenho que saber tudo que está naquele pequeno livro de bolso de estudos de alguns posts abaixo ou se é só para consulta. E a boa (má) notícia é que sim, eu tenho que supostamente saber tudo, pelo menos para a prova. Obviamente na prática, muita coisa fica guardada na cabeça, sei disso, mas pequenos detalhes de rodapé e valores numéricos são o meu problema, ou melhor são problema pra minha memória de 3,6.

Mas ontem voltei bem felizinha da aula. A professora deu um teste com questões de provas antigas (vamos fazer muitos pra treinar) sobre o que tínhamos estudado até agora. Dez minutos pra fazer dez questões complicadésimas de múltipla escolha (daquelas com vários sub-ítens). Minha companheira do lado virou-se pra mim e reclamou que só tinha acertado 4 das 10 e eu sem querer esconder o sorriso respondi, "Eu acertei 7!"

Ah, eu fiquei satisfeita, porque durante as aulas eu sempre acho que estou um tempo atrás da galera. Aqui o povo se comporta muito diferente em sala de aula do que no Brasil. Lá fica meio que todo mundo passivo escutando o que o professor fala e vez ou outra faz uma pergunta. Aqui é um tal de neguinho levantar mil questões durante a aula, elucubrar hipóteses e perguntar, perguntar, perguntar o tempo todo que eu às vezes perco o bonde e vai me batendo aquele desespero de pensar "Putz, o que que esse povo tá falando?"  E faço minha milésima anotação mental pra estudar depois. Dá aquela impressão de que todo mundo é crânio e só eu a cega perdida no tiroteio. Mas já saquei que é só fachada, o povo tá tão ou mais perdido e apavorado quanto eu :) A diferença é que eu tenho que ralar mais do que eles por causa da língua ser estrangeira, e convenhamos que descrever explicativamente fisiologia em alemão vai me custar alguns cabelos brancos certamente. Mas no final acabo estudando também mais porque tenho que correr atrás da minha teórica desvantagem. Resta saber como vou fazer isso a partir da metade do ano que vem quando estiver sem dormir, descabelda e sem banho por causa do recém nascido.

Uma preocupação de cada vez.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Chegou o tchuchuco do meu livro de estudos que comprei online anteontem, segundo a professora, a bíblia dos aspirantes a pagé. Cheio de letra miúda em alemão e finiiinho que só. Decididamente dessa vez amarrei minha égua bem amarrada.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A arte de estudar EM alemão

Ontem foi pauleira. Fui que nem um zumbi pra aula, a primeira parte de fisiologia cardíaca ainda deu pra acompanhar, é uma parte que gosto muito, foi até tema da minha monografia há quatrocentos anos atrás, quando eu ainda ia de shortinho de Bali pra aula na faculdade. Bom, agora nem o short, nem as pernas de 20 anos existem mais, sem contar o frio do cacete que começou a fazer nessa cidade. Enfim, estava indo tudo bem até depois do intevalo começar a aula de sistema imunológico. Ah, aí em dado momento, não sei se nos neutrófilos ou nos eosinófilos, eu perdi o fio da meada e, meus amigos, perder o fio da meada em alemão é uma coisa impossível de se recuperar. Fiquei ali pensando, "será que tento ainda fazer força ou relaxo total e rezo pra ter um capítulo maravilhosamente explicativo no livro-bíblia que é referência do curso?" Bom, sei lá, ainda consegui entender a conclusão do professor de como nosso sistema de defesa é capaz de combater vermes e parasitas. Na cabeça dele, não precisa de vermífugo que nossos soldadinhos dão conta do recado. Só alemão mesmo, que nunca viu uma barriga de solitária ou uma esquistossomose braba pra falar isso. Estudar com povo civilizado dá nisso. Tive que levantar meu dedinho pra dizer que a ameba se reproduz ferozmente sim e que sem remedinho ela não vai embora não. Olharam-se ceticamente, duvidando do meu pedigree de índia nativa.