Embarcamos na hora certinha com os olhos marejados de saudades da vovó. Instaladas em nossos lugares, avião taxiando, ouvi a voz do piloto "Senhores passageiros, vamos ter que voltar para o portão porque temos um problema na máquina". Abstraí o comunicado e continuei a assistir o filme que já estava rolando na minha frente. Avião parado, 15 minutos depois lá vem o piloto de novo"Estamos com um problema em uma válvula hidráulica, temos outras, mas sem esta não podemos decolar. O reparo está sendo providenciado e levará de 1 a 2 horas."Falou aquilo tudo sem a mínima expressão como se fosse a coisa mais normal do mundo, mas eu lembrei na hora da tragédia do avião da Air France e fiquei ali quietinha rezando o Pai-nosso e pensando numa promessa que fosse forte o suficiente pra garantir que a tal da válvula funcionasse bem direitinho durante as próximas 11 horas que estaríamos no ar.
E aí, minha gente, minha conexão em Amsterdam que seria de uma hora foi pras cucuias, porque o conserto realmente demorou quase duas horas.
O voo em si foi tranquilo, tivemos um pouco de turbulência, mas nada dramático. As meninas dormiram 3 horas e depois se mantiveram ocupadas com a programação de filmes, nintendo, tablet, caderno de colorir e toda a parafernália que eu levo. A comida estava péssima, uma gororoba intragável. Tinha ficado tão animada na ida, principalmente com a comida infantil que eu tinha reservado e estava ótima, mas na volta, só deu pra comer o pão com manteiga e polenguinho.
Chegando em Amsterdam, já tínhamos sido avisados pela tripulação que novas reservas estavam prontas nos esperando e em terra procurei o balcão da companhia pra trocar os bilhetes de embarque. Não sem antes peregrinar atrás de informação para saber onde o dito cujo ficava. Laura a esta altura se arrastava dizendo que estava cansada e eu estava tonta de ter virado a noite acordada. Nossa reserva estava agendada para dali a 3 horas somente, lanchamos no Burger King com os vouchers da KLM e falamos com maridão usufruindo da maravilhosa conexão wifi do aeroporto. Fica a nota que o wifi do Galeão era uma bosta, velocidade de tartaruga impossível de permitir qualquer navegação, atenção olimpíadas 2016!
Chegamos finalmente em casa com um monte de roupa pra lavar e demoramos uma semana pra entrar nos eixos. Nas primeiras noites parecíamos zumbis vagando pela casa escura. Nem eu, nem as meninas conseguiam pregar o olho antes das 2 da matina, jet lag violento. Por isso mesmo, já imaginando que teríamos que nos adaptar ao novo fuso, voltamos duas semanas antes do início das aulas.
Agora estamos voltando ao ritmo novamente, Laura recomeçou hoje o Kindergarten e Juju estreia em sua nova escola segunda que vem, dois dias depois de seu aniversário de 10 anos no sábado. Pois é, ainda temos festa este fim de semana, desta vez reservei com antecedência um desses parques indoor cheio de escorregas, cama elástica e piscina de bolinhas com tudo fechado, comida e bebida no pacote, só preciso levar o bolo.
Estou morrendo de saudades do Rio! Daquela confusão toda, daquela bagunça carioca, da praia, dos amigos e claro, da minha mãe. De deitar refastelada na cama e assistir TV até dormir, bater perna em Copacabana disputando a calçada com seus 200 mil moradores e outros tantos camelôs, de ouvir português por todos os lados. Não dá pra voltar mais, a coisa lá tá bem feia, muitas lojas fechando, crise econômica, gente desempregada e todo mundo se segurando como pode. A educação indo ladeira abaixo e sinceramente não consigo mais me imaginar vivendo com medo por causa da violência urbana e nem muito menos pensar em criar as crianças nesta neurose. Por outro lado, mesmo com todo este quadro nefasto que ainda deve perdurar por um longo tempo, quando volto me dá aquele banzo, aquela saudade de andar na orla e de mergulhar no mar. E de andar só de h@v@i@n@as durante o inverno.














