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terça-feira, 25 de agosto de 2015

De volta

Estamos de volta. Nossa, como tem tempo desde a última vez que escrevi ainda curtindo os últimos dias de férias no Brasil. A volta é sempre a volta. Voo noturno, aquela dificuldade pra dormir, crianças cansadas e eu mais ainda. Mas vamos pelo começo, porque a volta também foi com emoção.


Embarcamos na hora certinha com os olhos marejados de saudades da vovó. Instaladas em nossos lugares, avião taxiando, ouvi a voz do piloto "Senhores passageiros, vamos ter que voltar para o portão porque temos um problema na máquina". Abstraí o comunicado e continuei a assistir o filme que já estava rolando na minha frente. Avião parado, 15 minutos depois lá vem o piloto de novo"Estamos com um problema em uma válvula hidráulica, temos outras, mas sem esta não podemos decolar. O reparo está sendo providenciado e levará de 1 a 2 horas."Falou aquilo tudo sem a mínima expressão como se fosse a coisa mais normal do mundo, mas eu lembrei na hora da tragédia do avião da Air France e fiquei ali quietinha rezando o Pai-nosso e pensando numa promessa que fosse forte o suficiente pra garantir que a tal da válvula funcionasse bem direitinho durante as próximas 11 horas que estaríamos no ar.

E aí, minha gente, minha conexão em Amsterdam que seria de uma hora foi pras cucuias, porque o conserto realmente demorou quase duas horas.

O voo em si foi tranquilo, tivemos um pouco de turbulência, mas nada dramático. As meninas dormiram 3 horas e depois se mantiveram ocupadas com a programação de filmes, nintendo, tablet, caderno de colorir e toda a parafernália que eu levo. A comida estava péssima, uma gororoba intragável. Tinha ficado tão animada na ida, principalmente com a comida infantil que eu tinha reservado e estava ótima, mas na volta, só deu pra comer o pão com manteiga e polenguinho.

Chegando em Amsterdam, já tínhamos sido avisados pela tripulação que novas reservas estavam prontas nos esperando e em terra procurei o balcão da companhia pra trocar os bilhetes de embarque. Não sem antes peregrinar atrás de informação para saber onde o dito cujo ficava. Laura a esta altura se arrastava dizendo que estava cansada e eu estava tonta de ter virado a noite acordada. Nossa reserva estava agendada para dali a 3 horas somente, lanchamos no Burger King com os vouchers da KLM e falamos com maridão usufruindo da maravilhosa conexão wifi do aeroporto. Fica a nota que o wifi do Galeão era uma bosta, velocidade de tartaruga impossível de permitir qualquer navegação, atenção olimpíadas 2016!

Chegamos finalmente em casa com um monte de roupa pra lavar e demoramos uma semana pra entrar nos eixos. Nas primeiras noites parecíamos zumbis vagando pela casa escura. Nem eu, nem as meninas conseguiam pregar o olho antes das 2 da matina, jet lag violento. Por isso mesmo, já imaginando que teríamos que nos adaptar ao novo fuso, voltamos duas semanas antes do início das aulas.

Agora estamos voltando ao ritmo novamente, Laura recomeçou hoje o Kindergarten e Juju estreia em sua nova escola segunda que vem, dois dias depois de seu aniversário de 10 anos no sábado. Pois é, ainda temos festa este fim de semana, desta vez reservei com antecedência um desses parques indoor cheio de escorregas, cama elástica e piscina de bolinhas com tudo fechado, comida e bebida no pacote, só preciso levar o bolo.

Estou morrendo de saudades do Rio! Daquela confusão toda, daquela bagunça carioca, da praia, dos amigos e claro, da minha mãe. De deitar refastelada na cama e assistir TV até dormir, bater perna em Copacabana disputando a calçada com seus 200 mil moradores e outros tantos camelôs, de ouvir português por todos os lados. Não dá pra voltar mais, a coisa lá tá bem feia, muitas lojas fechando, crise econômica, gente desempregada e todo mundo se segurando como pode. A educação indo ladeira abaixo e sinceramente não consigo mais me imaginar vivendo com medo por causa da violência urbana e nem muito menos pensar em criar as crianças nesta neurose. Por outro lado, mesmo com todo este quadro nefasto que ainda deve perdurar por um longo tempo, quando volto me dá aquele banzo, aquela saudade de andar na orla e de mergulhar no mar. E de andar só de h@v@i@n@as durante o inverno.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Sankt Martin

Eu já falei aqui que final de ano é aquele estresse de coisas pra fazer, aliás, acho que já falei isto aqui várias vezes, se for procurar nos arquivos é capaz de eu todo ano escrever o mesmo post ho-ho-ho. Mas então que tem basar da escola, do Kindergarten, alemão adora um basar valha-me Deus! Aí vão as nossas fofurinhas totalmente empenhadas na arte do corte e colagem e a gente tem que ajudar na confecção de badulaques de Natal, porque vem circular da escola pedindo encarecidamente a ajuda dos pais participativos e eu combinei comigo mesma, eu e minha consciência materna, que se estiver dentro das minhas habilidades ajudarei com prazer. Só que corte e colagem me aventuro apenas em dias chuvosos em casa porque não nasci com a veia artística e ficar em pé vendendo também não é minha praia, no que então participo doando dinheiro para a compra do material e depois comprando também a obra de arte das pimpolhas. Fico pobre em novembro.

No pátio da escola ouvindo a banda tocar
Esta semana teve a comemoração do dia de São Martinho 11 de novembro, conhecido como Sankt Martin por estas bandas. Já contei a história dele aqui também, mas como há séculos esqueço de colocar marcadores nos posts, ninguém vai achar no histórico do blog. Então lá vai um resumão: Martin era um soldado que ao ver um mendigo com frio e pedindo ajuda no caminho, rasga seu manto vermelho e dá-lhe a outra metade para aquecer o pobre homem. Neste dia então relembra-se  este acontecimento e faz-se uma reflexão sobre a fraternidade humana. É o dia em que as crianças saem em procissão com seus lampiões acesos pelas ruas escuras. Geralmente acende-se uma fogueira e distribui-se brioche ou os Martin-Wecken/Weckmänner, uns pãezinhos doces em formato de boneco.

Laternefest
Terça-feira foi então  a Laternefest  da escola da Julia, percorremos várias ruas do bairro nos arredores da escola, o caminho parecia que não acabava nunca. Quase não uso mais o carrinho, mas tive que espanar a poeira pra levar a Laura que não ia aguentar andar aquilo tudo. Amanhã tem mais uma, agora do Kindergarten dela, lá vamos nós de novo, pelo menos este caminho será mais curto.

Pediram pra levarmos os pãezinhos e hoje me aventurei numa receita nunca antes testada. Fiquei animada que não levava ovo e a Laura pode comer sem medo de ser feliz. Ficou uma delícia! Aprovadíssimo! Dá pra fazer variações no formato e comer o ano inteiro ho-ho-ho.






quinta-feira, 6 de março de 2014

Musicais em Hamburgo - Rei Leão

Mais post em fotos, porque criançada de férias em casa (de novo!) por duas semanas e pouco tempo pra sentar. Ontem foi o dia de ir com a Juju assistir ao Rei Leão, musical da Disney que já está em cartaz há mais de 10 anos em Hamburg. O teatro fica do outro lado do rio Elba e a travessia de barco está incluída no ingresso. O espetáculo é lindo, emocionante e super bem produzido, como não podia deixar de ser.
O teatro

Chegamos!

O barco que nos trouxe, vista do porto de Hamburgo do outro lado

Já vai começar, hora de desligar o celular

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O causo do escorregador

Ontem a Julia chegou em casa da escola me pedindo um Po Rutscher, literalmente um "escorregador de bunda", pra brincar na hora do recreio, que o pátio externo fica cheio de neve e eles descem os morros que tem por lá. As crianças se divertem e os pais rezam em casa pra ninguém se quebrar; eu pelo menos.

Fomos à tarde no shopping comprar. Segue o diálogo com a vendedora:

- Por favor, a senhora tem um Po Rutscher?
- Um o quê? ( com aquela cara de simpatia alemã)
- Um PO RUTSCHER! ( sempre acho que se o alemão não entendeu o que eu disse é porque ele é surdo)
Vendedora faz cara de interrogação e permanece calada.
_ Um PO RRRRRRRUTSCHER, aquele troço pra criança sentar a bunda em cima e escorregar na neve. Ô Julia, como é que chama a P@#$% do negócio, não é Po RRRRRRRRutscher? ( engoli o palavrão que eu queria ter dito junto e carreguei no R).
-É mamãe, é Po Rutscher.
-Aaaaah, Po Rutscher!!!!! (vendedora fazendo as conexões cerebrais)
- É isso aí minha senhora, tem? Vai pegar, faz favor. Ô Julia, e o que foi que eu falei, não foi Po Rutscher?
-Ué, foi sim, mamãe.

O tempo passa e não há sotaque carioca que faça esses alemães felizes.







sexta-feira, 6 de maio de 2011

Das últimas

Nem posso dizer que deixei de escrever aqui por falta de tempo, porque acreditem se quiser, tem manhãs que eu passo catando mosca.  Laura é um bebê completamente diferente do que foi a Julia . Calma, tranquilíssima, mama e dorme o tempo todo, literalmente. Achei que bebês assim fossem lenda urbana contada por mães perfeitas ou que só existissem nas novelas, mas fui premiada com uma. A criança nem chora, só quando a gente torra muito mesmo o saco dela demorando a trocar a roupa ou a fralda é que ela se manifesta, e mesmo assim comedidamente. Lembro que com a Julia dias e noites eram tão caóticos que eu nem me dava conta do tempo.

O único problema é que ela parece estar trocando o dia pela noite. De dia dooooooorme tão fundo que nem aspirador de pó  no ouvido acorda, e com isso se eu não prestar atenção, pula as mamadas. Só que à vezes nem sacudindo a criança acorda e nem rebolando ela mama. Tá uma novela. E o pediatra resolveu ficar em cima pra controlar o peso, porque pediatras são seres mais neuróticos do que mães. Hoje ela pesou e engordou 80 gramas, então tá no lucro. À noite ela desperta e quer conversar, faz barulhinhos deliciosos que eu adoraria escutar se não fossem 3 da manhã.

Fiquei no hospital 4 dias e tive alta. Recuperei-me tão bem da cirurgia que até as enfermeiras se espantavam. Levantei no mesmo dia da cama e no dia seguinte já tomei banho sozinha. Hoje, uma semana depois, não sinto mais dor alguma, só um incômodo na região do corte e a frouxidão da barriga que me é estranha, mas tenho que me lembrar sempre de não abusar pra dar tempo a cicatrização interna.  O famoso resguardo da época da vovó hoje não significa mais ficar de cama, mas fui orientada a por duas semanas evitar excessos, grandes caminhadas e não pegar peso além do bebê por 40 dias. Como minha mãe está aqui e maridão é daqueles que botam a mão na massa, isso não é problema.

O umbigo caiu ontem, mas ainda está com uma cara estranha, e se tem uma coisa que me dá nervoso é o tal do umbigo. Na Julia caiu e ficou sequinho, na Laura caiu mas tem um treco amarelo ainda. Segundo a Hebamme é normal, faz parte do processo de cicatrização. E com isso acho que vou manter o banho de gato por mais algum tempo antes de inaugurar a banheira. Alemão faz assim e eu germanizei total no quesito umbigo-banho.

É isso, sobre os comentários do post anterior, é bom saber que pode-se trocar ideias e que ainda existem pessoas que sabem conversar e divergir sem a gente sair no tapa :)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Escolhas e assuntos que não se discutem

Eu pensei muito se iria escrever esse post, porque hoje em dia, com o adendo da anonimidade e da proximidade virtual quase que real da internet, muita gente se acha no direito de sair colocando dedo em riste na cara dos outros e patrulhando comportamentos. Hoje, pra mim, assuntos como amamentação e tipos/escolhas de parto entram no quesito futebol, religião e política, que não se discutem, porque parece que o povo é tomado de tamanha irracionalidade se o outro pensa diferente que chega à beira do inimaginável a troca de ofensas que já li por aí. Se você não parir de cócoras e amamentar até a criança entrar na pré-escola, sabe-se Deus o marginal que irá pra sociedade no futuro. Perdoem-me o exagero.

Dito isso, repito, pensei muito se iria escrever sobre o assunto, mas cheguei a conclusão que, apesar de não estar disposta a explicar por a+b o porquê das minhas opiniões e nem muito menos em tempo algum achar que tenho que justificar minhas escolhas, é bom também alguém contar outro tipo de experiência e porque não de aprendizado, que se serviu pra mim, poderá servir pra outro que venha a ler isso aqui.

Parto na Alemanha é a priori normal. Se o bebê está na posição e a gravidez transcorreu sem problemas que indiquem qualquer intervenção, segue-se o curso natural das coisas, 40 semanas +2 até se pensar em porque a criaturinha não quer sair de lá por vontade própria. Recursos como anestesia, parto na banheira, massagens podem ser acordados durante a entrevista no hospital que a pessoa escolher. Cesarianas são feitas, mais uma vez a priori, se o bebê não está na posição correta ou por alguma outra indicação médica.

Seria o mundo perfeito, certo? Foi o que pensei da primeira vez também. Eu queria um parto normal, fiz acupuntura, curso de gestantes, hidroginástica e o escambau, me preparei como pude. Só não contava com a inflexibilidade patológica alemã, onde depois de 24 horas de trabalho de parto, uma anestesia que já tinha ido pro espaço, gente subindo em cima de mim pra empurrar a criança, bebê em sofrimento, batimentos caindo e deixarem chegar a um ponto da situação onde até uma cesariana de emergência não era mais possível e o bebê ter que ser extraído à vácuo. No final, nos salvamos, mas o processo todo foi bem fora da normalidade na minha opinião. E vejam bem, eu nunca me iludi que seria um parto indolor e fácil, mas jamais imaginei que estaria nas mãos de profissionais incapazes de julgar o limite do risco. É aquela história, você não sabe que tipo de parideira você é, tem gente que suspira e a criança nasce, outras não, e você espera que o carinha que estudou anos de medicina seja capaz de julgar a hora em que passou do limite e tá na hora de usar seu conhecimento.

Só que mães, principalmente as de primeira viagem são mais crentes e esperançosas, tem aquela ingenuidade utópica de que tudo vai dar certo e eu era assim. E quando a ficha caiu, já era tarde demais, eu estava na mão deles e não tinha mais como pegar as rédeas da coisa.

É estranho o número desconcertante de cesarianas planejadas no Brasil, também considero isso fora da normalidade. Faz-se por comodismo e por conta da manipulação da máfia dos planos de saúde, somado à indisponibilidade médica. Mas também acho desconcertante a falta de sensibilidade alemã para compreender que nem sempre as coisas fluem como esperado e é preciso ter um plano B. Vejam bem, eles me disseram que tinham um plano B, que se desse algum problema, fariam uma intervenção, só que pra eles aqui procedimentos como extrair um bebê à vácuo ou puncionar gotas de sangue da cabeça do bebê no canal de parto são plenamente normais e fazem parte do processo. Pra mim não era e continua não sendo, porque o risco destes é muito maior e permanente do que o risco de uma cesariana necessária.

Riscos existem sempre, em qualquer tipo de escolha. É preciso estar ciente dos dois lados da moeda e saber que se o bonde pegar outro trilho você conhece o caminho também. Imprevistos sempre hão/podem acontecer, mas a gente espera que não.

Quis o destino que eu viesse a me encontrar novamente parideira em terras germânicas, novamente em Hamburgo, e agora, Juvenal? Tomei minha decisão conscientemente e bati o pé bem firme pra ultrapassar a barreira da síndrome do jaleco-branco-engomado e seu ar de superioridade do qual sofrem todos os médicos alemães e fiz valer minha vontade. Este post foi escrito antes, porque a essa hora provavelmente estou me recuperando de uma bem sucedida e planejada cesariana com uma linda bebezinha ao meu lado.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Páscoa

Hoje vai ter bacalhau preparado à portuguesa pelo maridão, nossa tradição de Páscoa. O feriado vai até segunda-feira e o tempo promete ficar ensolarado. Semana que vem a pequena está de férias e eu já estou na contagem regressiva, pernas pra cima, deixei a avó assumir. Pra aproveitar os últimos dias de sossego, vamos hoje à noite, maridão e eu, ao cinema assistir "The King's Speech".

Se eu não der as caras por aqui nos próximos dias desejo a todos uma Feliz Páscoa!

Mas aviso quando a baby nascer :)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pergunta imbecil, resposta idiota

É um porre estudar pra prova escrita de motorista, mas tem umas perguntas que eu até me divirto. Dá uma vontade de ser politicamente incorreta quando leio essas perguntas...
Você quer ultrapassar na auto-estrada uma coluna rapidamente. Aí você é impedido por uma viatura que circula qualquer coisa mais devagar, o que o arrelia e frustra. Como se comporta você?

April, april, macht was er will

Abril é o mês onde o tempo fica mais louco. Faz calor, faz frio, já vi até neve em anos passados. A gente se anima com um dia quente como de verão e no dia seguinte começa a fungar porque a temperatura caiu como se fosse novembro. E acertar o que vestir é outra lenha, invariavelmente sente-se ou calor ou frio por mal julgamento do que se passa lá fora. Desde ontem está um frio daqueles, um vendaval insuportável e peguei até chuva de granizo, uma doideira.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Bremen

Chegamos ontem depois de passar 3 dias em Bremen. A viagem de trem foi bem legal e tranquila. Eu já conhecia a cidade, fui lá com a minha primeira turma de alemão há anos luz atrás, mas marido e filha nunca tinham ido. Bremen é uma cidade bem simpática, a apenas uma hora de Hamburgo. Tem seu centro histórico antigo, como quase todas as cidades alemãs, com prédios que chegam a datar do ano 700 d.c no Schnoorviertel, cheio daqueles becos com lojinhas fofas. É lá que tem uma espécie de museu vivo, Bremen Geschichtenhaus, onde pessoas que estão cadastradas como arbeitsuchend ( à procura de emprego, é o desempregado que nunca trabalhou) no sistema recebem um treinamento para trabalharem como guias e atores contando histórias de personalidades famosas e da história de Bremen. É só em alemão, então tem que estar com o Deutsch afiado pra acompanhar.

Bremen é uma cidade-estado, assim como Hamburgo, importante pelo seu porto e conhecida popularmente pela história do Irmãos Grimm, Os Músicos de Bremen, parada obrigatória na estátua pra fotinho básica.

A highlight pra baixinha foi sem dúvida o Universum Museum, o nome já se explica mesmo em alemão, um museu totalmente interativo pra crianças de várias idades, cheio de experiências sobre o corpo humano, sobre o cosmos, a criação do universo, muito, muito legal mesmo. Passamos o dia inteiro lá e valeu cada segundo. Tem restaurante camarada pra fazer uma pausa e ainda no final um parque a céu aberto com outras curiosidades.

Nosso hotel era pertíssimo do centro histórico, super bem localizado com ônibus e bonde parando na porta. Café da manhã foi cada dia num lugar diferente, uma vez numa padaria alemã do outro lado da rua e outro no meu querido Starbucks e seu bolo de mármore e capuccino descafeinado com gosto de verdade. Uma das noites jantamos num restaurante típico alemão, o Paulaner's e eu nunca comi comida por aqui mais gostosa.

Voltei certamente rolando mais dois quilos, aliás, a barriga está imensa e pesando já uma tonelada, mas isso eu conto no próximo post assunto bebê.

As fotos que não me deixam mentir:

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Guest-post e parada estratégica de estudos

Eu tenho que memorizar somente 915 questões pra prova escrita de motorista, então não esperem por posts nos próximos dias, porque sem cafeína correndo nas veias meus neurônios andam a passos de cágado.

Enquanto isso, tem um post meu no blog da Mel que me pediu pra escrever como são as festas de aniversário infantis na Alemanha.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

À procura

Comecei quase que oficialmente a procurar apartamento pra nos mudarmos. Desde que a gente voltou pra cá tínhamos essa ideia na cabeça, mas fui empurrando pra frente porque apesar da vida cigana que levamos nos últimos anos, eu odeio procurar-resolver-pepinos de mudança-empacotar. Mas agora com o aumento da família, a médio-longo prazo precisamos achar algo um pouco maior. No começo a bebê fica no meu quarto, que é enorme e dá folgado, mas depois quero passar ela pro quarto da Julia e aí a coisa vai começar a apertar porque é menor e eu vou ter que rebolar pra enfiar um berço sem tirar os 999 brinquedos da primogênita que habitam o recinto desde o parapeito da janela até debaixo da cama.

Também sentimos falta de um espaço pra gente trabalhar, espalhar livros e papeis sem ter que ficar tirando daqui e colocando pra lá. A mesa do desktop fica na sala, mas tem impressora, mil fios de ipods, disco rígido, câmera e toda essa parafernália tecnológica im prescindível, que não sobra muito espaço pra cadernos e pro meu pequeno livro de bolso do curso. Acabo tranferindo tudo pra mesa de jantar, mas depois tenho que juntar tudo senão temos que comer com o prato na mão no sofá e eu não quero acostumar a Julia assim.

Idealmente queríamos mais um quarto, mesmo que as meninas ficassem juntas, teríamos espaço pra um escritório, mas isso aqui nessa região, por um preço acessível é praticamente sonhar acordado. Hamburgo é uma cidade carente de imóveis para alugar porque o povo é rico e a maioria proprietário. É relativamente fácil conseguir um financiamento pra pagar a casa própria, então há uma escassez de bons imóveis para alugar com um preço razoável. Claro que tem apê de monte espalhado pra alugar, mas a gente se faz de difícil e não quer sair do bairro, o que limita a procura. Não quero sair daqui porque já tenho amigos, toda uma estratosfera de conhecidos que levou tempo pra construir e sobreviveu a um espaço de 2 anos longe. A escola é perto, dá pra ir a pé, tem comércio pertinho, vizinhos que me quebram o maior galho durante as viagens do marido, etc etc etc.

A solução ideal é que algum dos apartamentos maiores da minha proprietária fique vago, já estou na lista de espera, mas o povo não quer largar o osso.

Todo dia antes de dormir eu penso bem forte que um deles vai conseguir uma mega oportunidade de emprego em outro lugar, país, continente e vai ter que se mudar. Sim, porque pra gente conseguir alguma coisa, também não vou desejar a infelicidade do sujeito, certo?

E então será o fim dos meus dias de olhar para a minha cozinha de azulejos verdes pintadinhos That Seventies Show!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Fasching ou carnaval alemão em Hamburgo

Ontem teve um bailinho de carnaval da associação esportiva do meu bairro onde a Julia faz esporte. Aqui em Hamburgo não existe aqueeele carnaval do tipo que conhecemos, e só em Colônia o povo é mais animado, mas mesmo assim rolam uns arrasta-pé infantis em escolas e clubes.

Juju resolveu de última hora reciclar um vestido de fada rosa-choque de uns dois anos atrás junto com umas asas de borboletas que sobreviveram ao carnaval carioca do ano passado. Tudo por cima de meia calça e camisa de manga comprida porque estava um frio medonho e foi animadona pra sua primeira folia alemã.


Achei bem legal, eles separaram em grupos por idade, de 15 às 16:30h as crianças menores, até 6 anos e de 17 às 18:30 as crianças maiores pra não dar confusão, tudo assim organizado começando e terminando pontualmente, adoro o jeito alemão nessas horas. Cada família levou um bolo e distribuíram pra todo mundo, fazendo fila organizadamente, as crianças ainda ganhavam uma caixa de suquinho. Montaram uns aparelhos de ginástica pra galerinha se divertir trepando e pulando e ao som de marchinhas alemãs de carnaval, algumas senhoras dançavam e faziam brincadeiras. Cada fantasia mais fofa do que a outra, tinha palhacinho, Pocahontas, Bob o construtor, policial, gatinho, fada, princesa, piloto de fórmula um, astronauta, etc. Achei o pessoal bem mais criativo do que no Brasil, mas também vamos combinar que naquele calor do Rio de Janeiro só rola índio e havaiana senão a criança derrete e tem uma desidratação. Na escola vai ter uma festa na semana que vem e a Julia quer ir de Pippi Langstrumpf, uma personagem famosíssima dos livros infantis mais lidos aqui na Europa, da autora Astrid Lundgren, sueca.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Confabulações linguísticas

Ontem eu estava pensando em como às vezes cansa passar o dia inteiro cercada por uma língua estrangeira. Por mais fluente que a pessoa seja, falar o tempo todo, raciocinar, responder, contabilizar, atender ao telefone de repente requer sem dúvida mais energia do cérebro. Lembrei da primeira vez que voltei de visita ao Brasil, depois de 3 anos de Alemanha e como achei incrível o som do português a minha volta, aquele som fácil de entender, que entra sem fazer esforço.

Ontem fui comprar um presentinho pro bebê da vizinha que nasceu, entrei na loja e pedi um determinado chocalho de madeira que a Julia tinha e é bem levinho pra bebês bem pequenos. "A senhora tem aquele "Rassel"(chocalho) patati patata..."A mulher me olha com cara de interrogação. Consultei a Julia em português "Julia, como é chocalho é alemão? Não é Rassel?" Muito prático ter uma filha fluente nativa nessas horas. 'É sim, mamãe". Aí vi que o problema tinha sido o "R", a pedra no meu sapato. "Rrrrrrrrrassel, minha senhora".

É comum também depois de muito tempo fora a gente misturar as palavras das duas línguas e principalmente esquecer determinadas palavras do português, pelo próprio desuso no dia a dia. Mas eu tento me policiar ao máximo em conversas com amigos que estão na terrinha pra evitar a famigerada frase do expatriado deslumbrado "Ai, esqueci como se fala isso em português". O povo geralmente te olha já revirando os olhos e eu realmente acho que é chato. Mas fato é que embora alguns o façam por deslumbramento, o cérebro eventualmente prega peças mesmo. Em conversas com a minha mãe, que já sabe que sou besta mesmo, e as conversas são mais frequentes e relaxadas de etiqueta, fatalmente esqueço palavras do português e faço pausas pra resgatar nos arquivos empoeirados da cachola.

E já se vão 8 anos de vida estrangeira.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Da série lamentações

Não podemos comer frango nem ovos que não sejam bio, como são chamados os orgânicos aqui, porque depois da vaca louca agora foi a vez de uma toxina na comida das aves causada, pasmem, por misturarem gordura usada à ração das galinhas. Jogaram a M* no ventilador agorinha no início do ano, interditaram mais de 4000 fazendas já, mas parece que desde março do ano passado estamos sendo intoxicados pela tal dioxina. Bem verdade que quem come pastel de feira e coxinha de galinha na padaria da esquina lá no Rio também deve estar cheio de dioxina nas ideias, porque duvido que troquem a gordura da fritura todo dia, mas isso na Deutschland, a terra do controle e das regulamentações é inaceitável!

Entrei oficialmente pro time das rechonchudas, já engordei 9 quilos, distribuídos não uniformemente até agora entre barriga, peito, bunda e rosto. Estou me sentindo esquisitíssima, pesada, e ainda faltam 4 meses, senhor! Essa fome invernal não combina com gravidez.E quem me vê fala que eu estou já com aquela carinha (deveria ser carona) de grávida, legenda: redonda, com dois queixos e peitos que pulam pra fora do sutiã.

Não gostei também do corte de cabelo, sei lá, acho que fiquei ainda mais com cara de bola agora. Eu pedi curto na altura do queixo e o cara cortou na altura do nariz. Será que gravidez acelera o crescimento capilar? Bem podia...

Pelo menos o gelo derreteu.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Everyday on ice

Hoje acordamos com o rádio alertando de 5 em 5 minutos que calçadas e ruas estavam com spiegeleis(espelho de gelo), uma camada de gelo causada pela chuva durante à noite em temperaturas negativas. A água congela na superfície e a parada desliza como se você estivesse andando dentro de uma banheira com sabão. Não adianta bota de neve, sapato com solado de borracha, nada, a menos que você tenha pregos na sola do pé, tudo desliza. Eu tinha hora marcada no salão pra cortar o cabelo e apesar dos avisos resolvi me aventurar, não achei que estivesse tão ruim assim.

Mas estava. Consegui ir e voltar sem cair, mas já liguei pro marido que trabalha perto pra ir buscar a Julia na escola, porque teve horas que se não tivesse um arbusto do lado pra eu me agarrar, eu tinha sambado no gelo. Um perigo, ainda mais agora nesse meu estado gravídico. Levei uma hora pra chegar ao meu destino, quando normalmente faço em 15 minutos, porque fui andando a passos de formiga não atômica e mesmo assim senti deslizar algumas vezes que me deu medo. Um saco, espero que a temperatura suba um pouco e isso derreta logo, porque não dá pra evitar muito as saídas, tenho médico, tem a escola da Julia, minha aula e semana que vem marido vai ficar 4 dias fora.

Cortei o cabelo curtéeeesimo, um chanel acima do queixo, não dava mais pra aguentar ter que secar o cabelo com a escova toda vez que lavava. Meu cabelo não é liso, nem crespo, é ondulado e fino e com a água daqui cheia de calcário fica uó, todo arrepiado e se eu deixar secar sozinho fica parecendo que levei um choque na tomada. Saí do salão parecendo estar de capacete, sabe quando o cabelereiro se empolga e faz aquela escova VOLUMOSA? Ainda tascou spray pra fixar a juba e saí de lá me sentindo um poodle. Felizmente eu tinha um gorro.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Salada

Aos poucos começo a sair da inércia das últimas semanas do ano, achei que nunca mais fosse conseguir tirar a bunda do sofá, tamanha era a atração gravitacional que o objeto exercia sobre mim. Hoje foi a volta às aulas e surpreendentemente a baixinha acordou antes do despertador tocar, às 6 da madrugada, e quase me matou de susto com um dedinho no escuro me cutucando.

Fui ao correio resolver pendengas par avion e enfrentei uma fila enorme, tive até um dejá-vu do mês passado. Mas o que essa gente toda ainda está fazendo lá, minha nossa senhora! E aqui não tem esse negócio de fila preferencial pra gestantes e idosos não, fica ali todo mundo em pé juntinho e bufando no cangote do outro, porque alemão fazendo fila é assim, se você arreda um pé pra frente, ele arreda dois e monta no seu ombro que nem papagaio de pirata. Odeio gente colada em mim, e sempre deixo uma distância regulamentar do sujeito à frente, precisa ver como isso deixa eles nervosos.

À tarde fui cozinhar na piscina com uma amiga e respectivas rebentas. Duas horas depois saí com a barriga pesando dez quilos a mais e enrugada que nem um maracujá, mas foi bom, Juju apesar de não estar fazendo mais aula de natação por enquanto, mostra que já se vira bem e nem precisa de bóias de braço, amém. No verão talvez eu encare mais um curso com ela, agora nesse frio, nem a pau juvenal. Pra mim ir à piscina sempre significou colocar o biquini, sandália de borracha e no máximo pegar as chaves do carro. Agora tenho que arrastar dez quilos de camadas de roupas e as sandálias vão enfurnadas numa mega bolsa junto dos outros mil apetrechos tipo toalha, shampoo etc etc etc. Multiplica por dois e desanimei só de fazer as contas. Não dá. Quando tiver que multiplicar por 3 nem quero pensar, a próxima vai ter que nascer peixe.

E terminei ontem de ler o último livro da trilogia Millenium, do Stieg Larsson. Muuuuuito bom, um dos melhores porque fecha meio que a história que fica em aberto no segundo livro.

Agora vou começar a ler os livros da série Sookie Stackhouse, que deram origem à série True Blood.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Então é Natal!

Muitos brasileiros que moram fora do Brasil vão pra casa de amigos na noite de Natal pra ter aquela sensação de mais gente por perto, já que a família está longe. Nos primeiros anos, antes da Julia nascer, nós também fizemos isso, mas desde que a baixinha chegou preferimos ficar em casa mesmo, curtindo o nosso natal em família. Eu curto fazer a arrumação, colocar os presentes embaixo da árvore pra abrir depois da ceia, passar o dia preparando as comidas, mesmo que seja só pra nós três. Hoje a Julia já acordou querendo começãr a abrir tudo e está sendo uma maratona fazer ela resistir até de noite. Achei um supermercado aqui pertinho onde eu podia encomendar um perú fresco. Peguei ontem e deixei durante a madrugada num vinha d'alho, daqui a pouco vai pro forno e mais tarde pra barriga, junto com arroz, maionese, farofa e molho a campagna que o marido gosta. Eu gosto de misturar doce com salgado, tipo um arroz a la grega com passas, maionese com maçã picadinha e fios de ovos com cereja vermelhinha em volta do perú, mas maridão odeia e fios de ovos por aqui acho que nem na santa lojinha do portuga.

Enquanto escrevo esse post enviei maridão puxando a Julia de trenó pra comprar umas baguetes que irão virar rabanadas mais tarde.

Um frio danado lá fora, só dá pra pensar em comida mesmo.

E presentes, é claro. E em como é bom passar mais um natal tranquila e feliz com aqueles que a gente ama. Sempre penso que a vida é cheia de momentos felizes e alguns nem tanto, mas quando uma tempestade passa perto, faz a gente valorizar ainda mais os momentos de felicidade. Piegas, assumo, mas tem coisa mais piegas do que Natal? Adoro!

Feliz Natal!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Cenas de inverno




domingo, 19 de dezembro de 2010

Quarto domingo do advento


Hoje vamos receber a visita de um casal de colegas de trabalho do maridão e o menu será feijoada com direito a tudo, farofinha, maionese, couve, arroz e de sobremesa pudim de leite. Vou entrar no ano novo rolando certamente.