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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Pílulas de sabedoria


Pra alguma coisa tem que servir o aprendizado de anos e nos últimos tempos tenho cada vez mais deletado picuinhas e problemas que não são meus da minha vida. Minha teoria é a seguinte, cada um que carregue os próprios karmas, eu já tenho meu pacote pra ficar ainda tendo que aguentar gente chata a tiracolo no meu caminho. Porque, olha, tem gente que por mais que a gente se esforce, não colabora para uma boa convivência. Paga minhas contas? Limpa a bunda da minhas filhas se eu precisar de ajuda? Então, com licença, mas vá a M@#$% que eu tenho muito o que fazer pra ficar perdendo tempo tentando ser a polícia pacificadora da humanidade.

E isso não tem nada a ver com a vida virtual.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O necessário desnecessário nosso de cada dia


Pipocam pela internet sites e blogs com dicas e listas FUNDAMENTAIS de todos os ítens que um bebê precisa ao nascer e nos primeiros meses de vida. O que eu acho mais engraçado são os blogs das mulheres que acabaram de ter o primeiro filho e saem dando mil conselhos e dicas valiosíssimas, principalmente de acessórios imprescindíveis, porque estão naquela fase do "topo qualquer coisa que faça esse moleque dormir mais de duas horas sem chorar e eu conseguir tomar banho". Entopem a casa de tranqueira, balancinho que vibra, balancinho que toca música, balancinho que nina, um pra sala, outro pro quarto, outro pra casa da sogra e por aí vai. Fico imaginando como chegamos até aqui, já que nossas mães (pra quem é de 30 e poucos cof cof) nem ultrassonografia fizeram. É verdade que a oferta deixa a gente zonza, e separar o joio do trigo requer serenidade pra não virar uma Becky Bloom, mas tem gente que realmente entra na viagem de achar tudo super importante ou acha que se não tiver acessórios x, y ou z vai se sentir desqualificada como mãe, sei lá, deve ser uma viagem dessas.

Eu detesto tranqueira empatando o meio do caminho e aqui em casa sou denominada como "lá vem o furacão" pelo marido, porque de vez em quando me dá uma doideira que saio jogando tudo fora, dôo pra caridade, vendo. Com criança, principalmente a medida em que elas crescem, a coisa toma proporções alarmantes pra um ser neurótico por organização como eu, porque começam as coleções infantis de pedrinhas da rua, galhos de árvores, conchinhas de praia, folhas de outono e mais tudo que se acha pelo meio da rua. Sua casa vira a sucursal do lixo reciclável! A Julia não pode ver um rolo de papel higiênico ou papel toalha ou uma caixa de ovos vazia no lixo que chega a perder o ar de revolta por eu ter jogado fora obras de arte em potencial. E o marido não ajuda, fala que eu estou tolhindo a criatividade da menina (acho que já escrevi isso antes). Mas imagina, se eu for guardar todos os rolos e caixas, daqui a pouco estaremos soterrados por eles.

E se no primeiro ano de vida do rebento é a mãe que fica baratinada com tanta oferta de promessas milagrosas de balanços que fazem a criança dormir sozinha e super mamadeiras que não provocam cólicas, depois de 5 anos (ou bem antes disso do jeito que a coisa vai) é o rebento que entra na fase do "Eu quero", "Mamãe compra pra mim", e a gente quer achar o botão que desliga essas frases a cada visita ao shopping center.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sucesso

Nessa de viajar pra Suíça rotineiramente, marido me conta assim coisas do tipo que jantou raclete num restaurante pobrinho com vista pro Mont Blanc como eu conto que fui no Mc Donalds aqui da esquina. Mas como sua alma é pobre, ele faz questão de dizer que o restaurante até que não era caro :)

E nessa de ser um dos dois únicos brasileiros do seu local de trabalho aqui em Hamburgo, ontem ele foi chamado pra ciceronear e servir de intérprete pro Ministro da Ciência e Tecnologia da terrinha, Aluisio Mercadante, em visita à experiência e ao buraco novo de nome pomposo Free Eletron Laser que estão construindo aqui e será feito com a colaboração de vários países, inclusive o Brasil, se as negociações continuarem frutíferas. Aí lá foi maridão na beca, nem no casamento o homem estava tão chique de bem vestido. E me conta na volta que o almoço foi num restaurante chiquérrimo em Blankenese, o bairro do high society, daqueles onde o bife vem escondido embaixo da ervilha. 


Pra não ficar deprimida, eu almocei no xópis com a Julia e comi uma barra de chocolate.

Tem gente que sofre quando vem pro estrangeiro na mala do marido e deixa a carreira construída pra trás. Conheço brasileiras que se ressentem do sucesso e da progressão das carreiras dos maridos em detrimento da sua própria e das dificuldades que nós, como malas, enfrentamos pra achar nosso lugar também ao sol. Eu tive minha crise lá nos primeiros anos de sentir o baque da falta de independência financeira e principalmente de deixar de trabalhar com o que gosto, mas nunca, em momento algum, me ressenti ou tive inveja do sucesso do maridão. Acho isso até meio patológico, porque se você não torce pelo seu companheiro, tem alguma coisa errada. Eu curto cada conquista dele e sinto o maior orgulho dele estar onde chegou numa carreira que é pra poucos, vindo de um país que não dá praticamente nenhum incentivo à pesquisa. Se não me engano, na sua turma da universidade formaram-se apenas 4 ou 5.

E só fica parado quem quer. Ficar se lastimando porque não consegue reconhecer diploma, porque não pode trabalhar com a profissão de antes não adianta. Tem que arregaçar as mangas e procurar as brechas. Eu já achei algumas, bem esprimidinhas, o negócio é não desistir, estagnar e virar aquela pessoa amarga e infeliz. Tem um monte de oportunidades lá fora, mas é preciso ter coragem pra sair da zona de conforto e dar a cara a tapa.

E a minha depois desse tempo todo, já está pra lá de estapeada :)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eu gosto de ficar sozinha, gosto de silêncio, de fazer as coisas no meu tempo. Deve ser coisa de filha única. Não sou de fazer programações mirabolantes pros fins de semana nem planejamento de viagens com antecedência. Não sinto necessidade de ter mil e uma ideias de passeios, teatro, cinema, encontro com fulano, pensar nas férias de verão, outono, inverno. Gosto de fazer as coisas quando tenho vontade e resolvo geralmente tudo de sopetão.

Ando numa fase de preparar o ninho, não posso ver roupa suja acumulada que já coloco pra lavar, troco as toalhas só pra sentir o cheirinho de amaciante e passo um tempão jogando papel fora daqui, arrumando as roupas no armário, tudo enquanto a casa está silenciosa, marido no trabalho e filha na escola. Raramente coloco música pra ouvir, gosto desse silêncio. E como sei que isso está pra acabar por um bom tempo, vou curtindo as últimas semanas de tranquilidade.

Aí lá na escola, tem a mãe de uma amiguinha da Julia que mora a dois passos daqui de casa, que resolveu ser minha melhor amiga dos últimos tempos. Só que ela é hiperativa e já me confidenciou que toma uns remédios aí pra controlar a cachola (eu atraio). Ela me cansa. Todo santo dia ela faz questão de me dizer qual a programação dela praquela tarde, pro dia seguinte e eventualmente pro fim de semana também. No que eu tenho sempre que dizer a minha, que atualmente consiste em fazer compras, terminar uns trabalhinhos de revisão, estudar pra prova de motorista, cumprir os compromissos da pequena e só, ou seja, rotininha mais básica impossível. Não estou atrás de nada que me canse, porque a barriga já está pesadíssima e desta vez estou muito mais sem pique do que da primeira vez. Mas ela não se conforma e fica querendo me arrastar no fim de semana pra teatro de marionetes junto com a filha, que pelo visto segue os passos da mãe no quesito hiperatividade. Ontem ela me perguntou se a gente podia combinar das meninas se encontrarem pra brincar na semana depois da Páscoa! Jesus amado, eu não sei nem o que vou comer hoje à noite, e ela já quer escrever na agenda um play date entre duas crianças de 5 anos como se fosse consulta de dentista. Aí sabe quando a gente abre a boca pra falar e a criatura não sabe escutar e começa a falar mais? Gente, ando com minha paciência no dedão do pé pra isso. Aliás, ultimamente ando tolerância zero pra gente que só quer saber de falar e não pára pra escutar o que a gente diz. Minha outra amiga alemã também é assim.

Falei que depois da Páscoa provavelmente não daria pelo motivo óbvio de que estarei parindo ou recém parida com um recém-nascido em casa e que por um tempo não vai dar pra ter criança de fora tocando o rebu aqui. Ah, pra que! Ela já ficou ansiosa querendo saber como ela ia ser avisada do nascimento, e como, quando, onde, porque...

Isso que dá ser integrada demais.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Relendo meus últimos posts fiquei com a impressão de que quem lê deve estar imaginando que eu sou uma pessoa muito reclamona e deprimida. Não sou. Pelo contrário, estou na maioria das vezes bem humorada (exceto quando não dormi) e sorrindo, mas é que nem sempre bate a inspiração pra falar de outras coisas e o blog acaba servindo como um divã pra gente despejar o mimimi de auto comiseração.

E apesar de todos os desconfortos deste final de gravidez, não é nada que não seja administrável em prol de um bebê cheiroso, gostoso e saudável como resultado final.

Essa semana fiquei sabendo por uma ex-colega de trabalho lá do Brasil que coincidentemente está morando agora também em Hamburgo, que uma outra ex-colega nossa faleceu em outubro. E apesar de não ser próxima a mim, era uma pessoa jovem ainda com a qual eu convivi por 5 anos diariamente e fiquei chateada. Hoje de manhã recebi um e-mail muito triste sobre o falecimento do bebê que tinha nascido prematuro de uma amiga lá do Brasil. Tínhamos trocado e-mails sobre a gravidez... chato, muito chato. E nessas horas eu penso que quando a gente reclama demais, a vida vem e te mostra na cara pra parar de ser besta, que isso é um grão de areia perto das tragédias que acontecem todos os dias.

Então, o negócio é sacudir a poeira, porque quem decide quem vai e quem fica não somos nós e a vida é cheia dessas pegadinhas desagradáveis.

E Saravá!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Mantra para todo dia

‎"O segredo da saúde, mental e corporal, está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas em viver sabia e seriamente o presente." (Buda)