Ontem eu estava pensando em como às vezes cansa passar o dia inteiro cercada por uma língua estrangeira. Por mais fluente que a pessoa seja, falar o tempo todo, raciocinar, responder, contabilizar, atender ao telefone de repente requer sem dúvida mais energia do cérebro. Lembrei da primeira vez que voltei de visita ao Brasil, depois de 3 anos de Alemanha e como achei incrível o som do português a minha volta, aquele som fácil de entender, que entra sem fazer esforço.
Ontem fui comprar um presentinho pro bebê da vizinha que nasceu, entrei na loja e pedi um determinado chocalho de madeira que a Julia tinha e é bem levinho pra bebês bem pequenos. "A senhora tem aquele "Rassel"(chocalho) patati patata..."A mulher me olha com cara de interrogação. Consultei a Julia em português "Julia, como é chocalho é alemão? Não é Rassel?" Muito prático ter uma filha fluente nativa nessas horas. 'É sim, mamãe". Aí vi que o problema tinha sido o "R", a pedra no meu sapato. "Rrrrrrrrrassel, minha senhora".
É comum também depois de muito tempo fora a gente misturar as palavras das duas línguas e principalmente esquecer determinadas palavras do português, pelo próprio desuso no dia a dia. Mas eu tento me policiar ao máximo em conversas com amigos que estão na terrinha pra evitar a famigerada frase do expatriado deslumbrado "Ai, esqueci como se fala isso em português". O povo geralmente te olha já revirando os olhos e eu realmente acho que é chato. Mas fato é que embora alguns o façam por deslumbramento, o cérebro eventualmente prega peças mesmo. Em conversas com a minha mãe, que já sabe que sou besta mesmo, e as conversas são mais frequentes e relaxadas de etiqueta, fatalmente esqueço palavras do português e faço pausas pra resgatar nos arquivos empoeirados da cachola.
E já se vão 8 anos de vida estrangeira.
4 comentários:
Minha avó aprendeu "ach so" de tanto que minha mae e eu falamos isso, haha. É como falar "nossa!", palavra que meu namorado ja conhce, pq tanto faz o idioma, um "ach so" e um "nossa!" cai mto bem, sem ter que traduzir. Hahah.
O que eu mais odeio nao é nem esquecer certas palavras, com isso eu até vivo na boa: viva a mistureba. O que nao gosto é quando eu falo certa coisa e percebo que a construcao da frase (como se diz Satzbau em portugues mesmo? rsrs) é de outro idioma. Isso me da muita raiva, mas é como você disse, o cérebro as vezes nao aguenta. :)
Eu simpatizo. Meu cérebro já é deteriorado por nascença e agora com duas línguas pra administrar, só com gardenal mesmo.
Tive essa sensacao quando fui a portugal esse ano. E olha que nao faz um ano que estou na alemanha. Mas acho que esse esforco inicial para aprender o idioma, é um pouco desgastante devido ao esforco mental, mas sei que é recompensador.
Não deve ser fácil mesmo, principalmente quando se fala mais de dois idiomas.
bjs
Marta
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