Nessa de viajar pra Suíça rotineiramente, marido me conta assim coisas do tipo que jantou raclete num restaurante pobrinho com vista pro Mont Blanc como eu conto que fui no Mc Donalds aqui da esquina. Mas como sua alma é pobre, ele faz questão de dizer que o restaurante até que não era caro :)
E nessa de ser um dos dois únicos brasileiros do seu local de trabalho aqui em Hamburgo, ontem ele foi chamado pra ciceronear e servir de intérprete pro Ministro da Ciência e Tecnologia da terrinha, Aluisio Mercadante, em visita à experiência e ao buraco novo de nome pomposo Free Eletron Laser que estão construindo aqui e será feito com a colaboração de vários países, inclusive o Brasil, se as negociações continuarem frutíferas. Aí lá foi maridão na beca, nem no casamento o homem estava tão chique de bem vestido. E me conta na volta que o almoço foi num restaurante chiquérrimo em Blankenese, o bairro do high society, daqueles onde o bife vem escondido embaixo da ervilha.
Pra não ficar deprimida, eu almocei no xópis com a Julia e comi uma barra de chocolate.
Tem gente que sofre quando vem pro estrangeiro na mala do marido e deixa a carreira construída pra trás. Conheço brasileiras que se ressentem do sucesso e da progressão das carreiras dos maridos em detrimento da sua própria e das dificuldades que nós, como malas, enfrentamos pra achar nosso lugar também ao sol. Eu tive minha crise lá nos primeiros anos de sentir o baque da falta de independência financeira e principalmente de deixar de trabalhar com o que gosto, mas nunca, em momento algum, me ressenti ou tive inveja do sucesso do maridão. Acho isso até meio patológico, porque se você não torce pelo seu companheiro, tem alguma coisa errada. Eu curto cada conquista dele e sinto o maior orgulho dele estar onde chegou numa carreira que é pra poucos, vindo de um país que não dá praticamente nenhum incentivo à pesquisa. Se não me engano, na sua turma da universidade formaram-se apenas 4 ou 5.
E só fica parado quem quer. Ficar se lastimando porque não consegue reconhecer diploma, porque não pode trabalhar com a profissão de antes não adianta. Tem que arregaçar as mangas e procurar as brechas. Eu já achei algumas, bem esprimidinhas, o negócio é não desistir, estagnar e virar aquela pessoa amarga e infeliz. Tem um monte de oportunidades lá fora, mas é preciso ter coragem pra sair da zona de conforto e dar a cara a tapa.
E a minha depois desse tempo todo, já está pra lá de estapeada :)
6 comentários:
Oi, achei seu blog pelo blog da Eve!
Parabéns pelo sucesso do seu marido, realmente de firmar no ramo da pesquisa é para poucos, infelizmente!
Também acho que a pessoa que sente inveja ou torce contra o próprio marido (ou qualquer pessoa da família ou amigos) deve ter algum preblema grave que precisa ser tratado.
Você disse tudo no seu último parágrafo: só fica parado quem quer, quem não sabe enxergar as oportunidades, mesmo que não sejam as oportunidades dos sonhos. Sei de pessoas amargas assim, e sinto muito por elas.
Abraços!
Pois é, meu irmão é mais ou menos do ramo do seu marido: pesquisas. Ele inclusive está por estas bandas, à trabalho. A gente sabe o quanto se rala...e o resultado vem, mas com muitas peripécias. Eu acho que vibrar pelo sucesso de quem amamos e ainda mais com quem vivemos é vibrar pelo nosso sucesso também. Não acho que seja estar à sombra, mas ao lado. É com a gente que eles vibram. Poder participar disso é muito importante.
E vai mesmo comemorar com a pequena no "xopis" que o mais importante é o prazer que se tem destes momentos! O fato de se ter certas oportunidades, como esta aí, é merecido! É muito legal mesmo!
Oi Ma, que bom que vc tb ver as coisas assim. Vc, com mais tempo de praia do que eu, tem mais "propriedade" pra falar. E, ó, vc com filha pequena, grávida e aprontando o que tá aprontando por aqui não é moleza, viu?
O sucesso é seu tb.
Bjs!
Tá podendo o rapaz, parabéns!!!
O mundo dos blogs é muito interessante, leio sempre o blog da Line(só não comento)e hoje ela apareceu aqui, legal.
bjs
Marta
Meu Deus eu nunca vi uma grávida em reta final tão controlada.
Ai, nessa etapa eu chorava tanto por não conseguir apanhar alguma coisa no chão sem sentar, kkkkk, imagina se o marido fosse a um encontro desse sem mim?
Falando sério eu acho que o grande pulo do gato é vc's estarem na Europa, nesse caso mesmo que o teu tempo inativa dentro da profissão seja rasuável, as chances de retomar são maiores que no Brasil.
Isso tira muito do peso de "tempo que passa e o que estou fazendo da vida"
Bj
PS: até o momento, sim, estou grávida.
É isso aí, Marcela!
Lamentar nunca levou ninguém a lugar nenhum. Quem quer chegar a algum lugar tem mais é que batalhar.
Um passo d ecada vez.
Bjs!
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