segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Vidinha mais ou menos, mais pra menos

Eu não sei se é só com a minha família trapo que o dia a dia tem sempre uma dose de emoção ou se acontece com todo mundo, mas o povo deixa de contar. Vamos aos últimos acontecimentos.

Quinta-feira fizemos um bate e volta à Berlim pra resolver certidão de nascimento da Laura, passaporte dela, renovação do meu, autorização de viagem pras duas crianças, atestado de residência, justificativa eleitoral, enfim, alugamos os serviços consulares praticamente uma manhã inteira, sorte que estava vazio. E fomos super bem tratados e com uma eficiência que deixa muito serviço alemão no chinelo. Mas então, que fomos na quinta à tarde pra dormir lá e chegar cedinho na sexta-feira no consulado. Fomos de trem, ICE, que dá uma hora e meia de Hamburgo a Berlim. Laura já acordou de ovo virado nesse dia, desmaiou depois de chorar com uma mamadeira no trem pra alívio dos outros passageiros. Juju, que só falta plantar cambalhota com o gesso na mão direita, só se aproveita do seu handicap quando tem que fazer alguma obrigação, pra todo o resto ela se vira com a esquerda e estou vendo a hora que vai se esborrachar no chão e ralar o nariz sem ter uma das mãos de apoio pra salvar.

Chegamos ao hotel depois das 6 da tarde e eu estava tão podre que minha maior felicidade foi constatar que havia um serviço de entrega de pizza ao lado do hotel. Enquanto marido foi lá encomendar as pizzas pra trazer pro quarto, Juju assistia desenho na TV e eu dava um desses mingaus prontos de potinho pra Laura. De repente a garota foi empipocando, ficando toda empolada e vermelha e começou a vomitar. Colocou tudo e mais um pouco pra fora no exato momento em que marido abria a porta e me perguntava o que eu ia querer para beber. Eu, segurando a Laura na pia, tentando salvar a única camisa extra que eu tinha levado pra dormir. Marido me pergunta "E agora? O que a gente vai fazer?" Eu olhei pra bebê, pensei no cansaço, no número da emergência, pensei se descia na recepção pra perguntar onde ficava o hospital infantil mais próximo... mas aí olhei pra ela e respondi "Ah, vamos esperar que passa". Segundo filho é assim, se cura sozinho. Não sei se foi uma reação alérgica ao mingau, que eu já tinha dado antes sem problema algum, sei é que passou depois de uma hora mesmo, sumiu tudo e ela dormiu profundamente de barriga vazia mesmo, a dose extra de histamina na circulação sanguínea se encarregou do trabalho.

Sexta-feira, depois de resolver tudo no consulado, fomos ao Museu de História Natural (de novo), que a Julia adora e pegamos o trem de volta às sete da noite. Juju já não lavava o cabelo há dias porque eu fui adiando por causa do gesso no braço e eu não quis nem saber, o cabelo só viu água no sábado de manhã mesmo, que estava todo mundo exausto.

Sábado ainda na programação IKEA-comprar-estante (outra)-compras de supermercado. À noite Laura teve febre, tossiu, espirrou e fungou a madrugada e o dia seguinte também quando começou a remelar dos dois olhos. De ontem pra hoje dormi de hora em hora, porque ela acordava e pra voltar a dormir eu tinha que dar uns tapinhas de leve no bumbum. Pediatra de manhã, diagnóstico que eu já esperava, gripe e conjuntivite, agora além de ter que driblar ela pra acertar o conta-gotas no nariz, tenho que fazer malabarismo pra acertar uma gota de colírio em cada olho enquanto ela tenta engolir o pote de algodão.

Domingo ainda resolvi arrumar a árvore de Natal e constatei que os enfeites não estavam junto do pacote de pisca-pisca. Indagado sobre o paradeiro dos enfeites durante a mudança, marido responde "Está numa caixa lá no porão", informação genérica que não me levou muito adiante e eu estou tentando convencer a Julia a termos uma árvore minimalista este ano, porque eu não vou fuçar aquilo lá embaixo mas nem a pau juvenal.


5 comentários:

Marta disse...

Ma, sua vida é realmente uma HISTÓRIA.
Tem que ter muito rebolado com dois filhos. Já já a Laura cresce e fica mais fácil...(ou não)
Melhoras pra todos.
bjs

Nicole disse...

"Engolir o pote de algodão" me fez rolar de rir. Durante a aula. Ops.

Tu é sensacional, flor.

Beijo!

Eliana disse...

Olha, vai ver que Laura já estava malzinha e este auê todo justo no hotel foi o ápice! Tadinha da bichinha, senão acho que ela tinha até curtido a viagem de trem. Ainda bem que conseguiram resolver tudo. Quanto à arvore de natal hahaha ela está "otimizada" em prol do meio ambiente hahahaha porque encarar um porão, tem que ter coragem, porque aqui, o meu, já deve ter bem uns bons e longos meses que eu não visito! hahahaha

Daniela Santos-Hansen disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniela Santos-Hansen disse...

Mulher como vc aguenta essa ginástica toda?? E parece que criança tm um sensor para os dias que estamos mais cansados ou cheios do que fazer né? O sensor funciona no mesmo nível da energia, que neles, nunca acaba...

Eu cuido dos meus sobrinhos e isso tem me deixaod maluca, desisti de ter outro filho.