quinta-feira, 24 de maio de 2012

Você leu a coluna do Xexéo?

Reproduzo aqui na íntegra a coluna de ontem do Xexéo publicada no jornal "O Globo"do Rio. Não tem como escrever de novo de forma melhor, está tudo ali. A internet é pra mim, hoje, fundamental e nem me lembro mais da minha vida quando não tinha um c omputador, e olha que isso não tem muito tempo, uns 15 anos? É ela que permite que minhas filhas cresçam vendo e falando com a vovó, apesar da distância e foi através dela que me reinventei profissionalmente, entra outras tantas mil possibilidades de conhecimento e contato que ela proporciona. Mas não dá pra negar que junto veio um lado negro, que como o texto bem diz "vem revelando um caráter da humanidade que era escondido pelos meios anteriores à revolução digital". Se a Xuxa fez a declaração pra aparecer ou não, pra mim não faz a menor diferença, só queria saber porque tem tanta gente amarga nesse mundo. Os destaques em negrito são por minha conta.


"Em evento promovido pela “Folha de S. Paulo” que celebrava a chegada de seu 80 aniversário — a data da comemoração será no dia 24 de outubro —, Ziraldo aproveitou para defender um de seus maiores amores, o objeto livro, atacando um de seus maiores inimigos, a internet. “Tudo de que você precisa está dentro de um livro”, disse ele. “Seu filho não pode chegar à internet sem passar pelo livro. Se não for capaz de escrever o que pensa e de entender o que lê, vai para a internet para virar um idiota. A internet está cheia de idiotas. Ela conseguiu dar palco para o canalha, para o invejoso. A Humanidade não presta. E você multiplica a potencialidade dessa maldade na internet.” 

Ziraldo exagerou na primeira parte de seu raciocínio, mas foi preciso na segunda. Afinal, livros, hoje, não existem só em papel. A internet está cheia de livros. Todos os livros de qualidade encontrados em livraria — que estão cheias de livros idiotas também — estão na internet. Alguns estão só na internet. Imaginar que a criança do século XXI passará pelo livro antes de chegar à internet é ingenuidade. Na escola, ela aprende na internet. Ela se comunica com os amigos pela internet. Ela satisfaz sua curiosidade na internet. Com muito mais facilidade e imediatismo do que minha geração ou a de Ziraldo conseguia pelo livro. Não é a internet que vai impedir a criança de escrever o que pensa ou entender o que lê. É a educação. E não é o livro das livrarias que vai resolver este problema. 

Mas Ziraldo acertou em cheio ao criticar a idiotice que reina no mundo virtual. A internet tornou-se mesmo palco para canalhas e invejosos. Protegida, muitas vezes, pelo anonimato, essa turma ocupa o espaço de comentários nos blogs, usa a rapidez de se soltar um pitaco no Twitter, aproveita-se da força viral de um e-mail para emitir pensamentos pouco elaborados e, na maioria das vezes, agressivos, inconsistentes, precipitados, raivosos... resumindo, cheios de canalhice e inveja. 

O mais democrático dos meios de comunicação proporcionou uma liberdade de escrita que, no jornalismo impresso tradicional, por exemplo, não é permitida nem na seção de cartas dos leitores. E esta liberdade vem revelando um caráter da Humanidade que era escondido pelos meios anteriores à revolução digital. O mais recente exemplo disso pode ser visto na reação cibernética à entrevista dada por Xuxa no último “Fantástico”. A famosa apresentadora de TV revelou que sofreu abusos sexuais na infância e no começo de 
sua adolescência. O governo levou a sério. A secretária de Dieitos Humanos, Maria do Rosário, soltou nota oficial em que definia a revelação de Xuxa como uma “atitude de coragem”. A classe política também. O senador Magno Malta (PR/ES), presidente da CPI da Pedofilia, quer ver Xuxa no ato de assinatura da Lei Joanna Maranhão, que permitirá que adultos denunciem abusos sofridos durante a infância. O Ministério Público considera a entrevista um incentivo para que abusos sejam denunciados. Mas na internet... 

Nas 24 horas seguintes ao depoimento, cerca de 29 mil tuítes comentavam o assunto. Foram mais de 20 mensagens por segundo. E, na grande maioria, Xuxa era chamada de louca, acusada de fazer a denúncia “para aparecer”, objeto de piadas.

O cidadão tem todo o direito de pensar duas vezes antes de acreditar em qualquer história do passado de Xuxa. Ela mesma faz questão de apagar este passado. Não existe sua aparição para a vida artística no concurso de panteras promovido num carnaval por Ricardo Amaral. Não existe seu namoro com Pelé. Não existem as fotos eróticas que fez para revistas. Não existe o filme em que interpretava uma prostituta. Xuxa sempre quis dar a impressão de que nascera com 30 anos de idade. Por isso mesmo, como duvidar de um depoimento que expõe tanto sua intimidade? 

O abuso sexual contra crianças é um assunto tabu no Brasil. Muita gente acredita que isso só existe nos EUA, onde o tema é tratado à exaustão em filmes que passam sempre na TV e em autobiografias de qualquer celebridade. No Brasil, é como se ele não existisse. Um assunto para ser resolvido em família. Xuxa escancarou uma porta que teimava em permanecer fechada. O resto é canalhice e inveja."



O link da coluna no jornal:
http://oglobo.globo.com/cultura/xexeo/posts/2012/05/23/sobre-xuxa-canalhas-invejosos-446509.asp

3 comentários:

sempretempo disse...

Falou tudo.
Eu exclui essa semana umas 15 pessoas.
Nao pela Xuxa, q fica claro, mas pelo q li dessas pessoas, q me encheu d vergonha...
Nao quero ser amiga d gente q e capaz d dizer coisas desses tipo !
E vai ladeira abaixo... um horror, se vc comeca a ler tudo ... fui pelo caminho mais facil, exclui mesmo ...

Eliana disse...

Perdeu-se o bom senso e a boa educação pra tudo. As pessoas estão sem referências é bem por aí. Criticar ou não, nem é a questão, mas a maneira como as pessoas demonstram tanta agressividade gratuita, como se isso fosse liberdade de expressão. Estamos perdidos em vários aspectos e valores, infelizmente.

Marta disse...

Concordo com você. Li cada coisa horrorosa na internete a respeito do desabafo da Xuxa. Eu assisti na hora que ela falou no programa Fantástico, foi muito triste.
Uma das piores coisas pra mim é o abuso infantil.

Acho que na internete tem de tudo, e o anomimato realmente facilita pra que seja assim. Temos que saber separar o joio do trigo e seguir em frente.
bjs