quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Em crise maternal

Pra mim, mais difícil é criar filho grande. Criança pequena dá trabalho, físico, é exaustivo, mas você é quem determina tudo. Criança grande já tem suas vontades e sabe argumentar. Já tem amigos fora do seu alcance de mãe, já tem a vida escolar e a social que vem no pacote e vai chegando aquela hora em que você toma um papel mais passivo, você fala, fala, fala e tem que acreditar que as informações estão sendo salvas no disco rígido da cabeça do moleque pra ele lembrar na hora em que precisar e não fazer merda. "Não fale com estranhos", "Não aceite nada dos outros", "Se alguém te mandar fazer alguma coisa que você não queira diga não".

E a influência dos amigos... Como fazer a criança não ser manipulada só porque quer agradar?

Eu vou contar um causo. A Julia tem uma amiguinha da escola que é a mais chegada. A mãe da menina é um amor, estrangeira também, nos damos muito bem, mas a menina... Ela só tem ideia de jirico e carrega sempre a Julia junto. É daquele tipo de inventar histórias, contar mentiras. Tem quem diga que é coisa de criança, mas eu não sou tão consensuosa assim e pra mim isso é coisa de criança que vai fazer merda no futuro. Mas a Julia não sabe dizer não pra garota e deixa a outra mandar nela. Isso me consome.

Hoje é uma travessura sem maiores consequências, mas amanhã pode ser uma coisa mais séria e é aí que eu perco o sono. Porque a gente fala, repete mil vezes o que é certo, como agir em determinadas situações e na hora agá parece que você jogou conversa fora com um cactus. Controlar demais não pode, controlar de menos também não. Confiar no que a gente ensina não é suficiente... E amanhã, depois de amanhã, quando ela tiver quinze anos e vier um malandro, ou uma amiga oferecendo alguma coisa ilícita? Será que ela vai saber dizer não e ser forte pra manter sua opinião?

É disso que eu tenho medo.


6 comentários:

Marcia disse...

Segura na minha mão! Eu te entendo!!!! Olha, acho que você não deve é dizer que não gosta da menina ou que ela não é boa pessoa. O fruto proibido é mais apetecido. Quando a Juju contar uma merda feita, você poderia tentar dizer:
"- Credo! Isso dá cadeia e na cadeia é assim, assado..."
Bom, não sei o que de facto está a acontecer, mas temos que descobrir um jeito de livrar a Juju do mal.

sou Bárbara disse...

Sabe que eu também tenho esse medo! E nem sou mãe ainda... quero só ver...

rose disse...

Tenho que rir com a Marcia.

Ela ainda é muito pequena e vai mudar muito de amiguinho e com bons exemplos dá tudo certo.
bjs.

Eliana disse...

Pois é, como a Babi, eu nem tenho filhos e penso nisso tudo aí...e já quase enlouqueço, aí me pergunto se realmente terei o dom da maternidade hahaha É complicada a situação, hein...agora se vc se dá bem com a mãe da menina, que tal uma conversinha assim de boa? Ou será que ela acharia tudo um grande absurdo? Sei lá...acho que se as pessoas são mães, pais, precisam estar abertos e conscientes e não se fechar dentro de uma bolha achando que o filho é o ser mais perfeito do mundo. Porque se a gente tem consciência, a gente sabe que o buraco é mais embaixo e que seu filho, ainda mais depois de uma certa idade vai ter suas próprias vontade e pensamentos, como vc mesma falou. O jeito é ficar de olho sim! E se a menina começar a aprontar muito e a Juju, gente boa que é, merece amigas melhores...Por um lado, fecho com a sua mãe...tem muita água pra rolar por debaixo desta ponte e Juju é menina do bem! Vai dar tudo certo...bjs

Maman B... et ses petites crapules disse...

Nao e desespere, o importante é o exemplo que ua filha tera em casa, as atitudes dos pais. Convere muito com ela, cite alguns casos de mal conduta e fique sempre de olho. Ela mesma com o tempo vai selecionar melhor suas amizades. Eu que tenho que policiar quatro de idades diferentes, sei que nao é facil. Para nao ficar muito longo meu comentario, vou postar um sobre o assunto...bjs

Deby-abelha disse...

Eu entendo! E acho que vc tem razão em se preocupar com essas coisas hoje, pq é desde pequeno que fortalecemos a educacão e personalidade dos nossos filhos.
Se vc fosse uma das minhas mães na escola em que eu trabalho, eu provavelmente iria aconselhar fortalecer a personalidade da Julia, mostrar que ela pode dizer não pra amiguinha, provavelmente ela se sente insegura achando que a menina vai deixar de ser amiga dela se ela não fizer o que a outra quer.
Como mãe eu também gostaria muito que o Noah cresca com personalidade, eu fui uma crianca que todos os meus amiguinhos faziam o que queriam comigo, meus pais nunca me orientaram a dizer nao, eu sempre fui ensinada a ser boazinha demais e querer agradar a todos, uma inseguranca muito grande de saber que alguém não gostava de mim.

Então, no fundo é pedir ajuda a Deus. Pq mãe fala mesmo, mas nem sempre filho escuta e obedece, faz parte da vida.