Já sentei aqui várias vezes pra escrever no blog, mas tá difícil. Andei num bode danado, a TPM acabou e o bode continuou. Sei lá se é culpa do frio, do tempo cinza, do inferno astral ou se é mesmo cansaço físico e mental, só sei que andei tão azeda que achei melhor ficar quieta.
É tanta coisa pra fazer que eu não consigo sentar a bunda no sofá nem um minuto do dia, juro, não é mentira. Passei três dias sem crédito no celular porque não tive tempo de sentar na frente do computador pra fazer o carregamento online. Tá F@#$. Ando queimando a mufa pra entender como funcionam as leis de imposto de renda para autônomos e meu contador não ajuda em nada, aliás, me dá mais dor de cabeça do que me ajuda. Mas... ruim com ele, pior sem ele. Desde que me registrei como tradutora freelance, como a maioria dos meus clientes são fora da Alemanha, já que trabalho mais com o par inglês-português, tenho que fazer livro-caixa, anotar entrada e saída, passar recibo, tudo que eu mais abomino que é a administração do negócio. Sentar e traduzir, revisar, corrigir é uma delícia, mas não tem como fazer isso sem ter o ônus de ter que administrar. Sem contar que eu tenho que carregar meus anexos quando vou resolver meus pepinos trabalhistas, imaginem a cena, eu adentrando o escritório do contador com Laura no colo se debatendo e Julia tagarelando qualquer coisa em alemão na velocidade da luz que meu cérebro não estava preparado para entender naquele momento. Então, é F@#$%.
Lembram que contei que coloquei a Laura duas vezes na semana na escolinha pré-Kindergarten? Pois é, comemorei cedo demais, eu sabia. Três vezes ela ficou bem e aí a ficha dela caiu e desde então tenho menos três horas do meu dia, porque esse é o tempo que passo sentada lá na tal escolinha numa cadeirinha que é um quinto do meu tamanho.
Aí chovem conselhos de todos os lados. Uns dizem "Você tem que ficar lá até ela ter confiança no ambiente, nas pessoas e aí vai ser fácil sair". Ou ainda "Ah, mas ela é muito pequena, é assim mesmo". Outros dizem "Você vai ter que sair porque senão ela não acostuma nunca. Deixa chorar. ".
Olha gente, já dei minhas chicotadas de auto flagelação porque cismei que a culpa foi minha que saí muito cedo e criei um trauma na menina. E desde então resolvi criar raízes na escola pra ver se revertia o processo, mas a coisa não está evoluindo e pra dizer a verdade acho que está piorando. Quanto mais eu fico lá, mais agarrada ela está comigo, ao ponto de agora chorar também quando fica em casa com o pai e eu saio. Então cheguei a conclusão que não adianta, vou ter que fazer que nem Band-aid, rápido pra ser menos dolorido. Tracei um plano, porque eu só funciono se tiver um plano. A partir de amanhã vou ficar 10 minutos e vou sair e deixar ela lá. Voltarei uns 40 minutos depois e trarei de volta para casa. Assim acho que ela vai se acostumando aos poucos, e se ficar chorando... bom, ninguém que eu saiba morreu até hoje por ficar 40 minutos chorando. É um meio termo, porque ficar lá sentada as três horas está acabando com meu resto de sanidade mental.
Dito isso, como a vida é fácil, não bastasse ter uma filha com alergia a leita e ovo, agora estou desconfiada de que a Julia está com intolerância a lactose. Há tempo ela vem reclamando de dor de barriga uma hora aqui, outra ali. Não dei muita trela, mas a coisa não melhorou. Resolvi prestar mais atenção e pesquei que era sempre depois dela tomar o copo de leite no café da manhã, ou no lanche da noite, quando não jantava. Ou depois do iogurte, do chocolate. Como o diagnóstico é principalemte clínico, feito com a exclusão do leite, resolvi fazer a experiência e pimba, desde que cortei o leite e derivados a garota não teve mais dor de barriga, nem cólicas. Resultado, agora leite, queijo e cia só entra em cvasa se for lactose free.
Marido acabou de sair pra pegar o avião e só volta na sexta, tá fácil pra você?
5 comentários:
Tá fácil não. Tem que ter muita fibra pra aguentar tudo isso. Paciência com a Laurinha que vai dar certo. Torcendo muito por vcs.
bjs
Jesus amado! Adrenalina pura! E descobri que comigo a coisa é com carne de porco. Cortei e nunca mais me passou nada. Olha, podia ser mais fácil esta adaptação da Laura, hein! É, acho que vc achou um meio termo, ficar um pouco, sair e voltar pra buscar e ir aumentando o tempo dela lá aos poucos. Meu sobrinho de quase 3 anos começou também meio período. Chorei os cântaros ao saber que ele chorou vários dias esta semana. E eu só sou tia! hahahah
Bom...se te consola, lembre-se de que tudo é passageiro. Boa semana.
Não sei se é de alguma valia, mas fica aqui toda a minha solidariedade e o mais apertado dos abraços pra vc.
Eu te entendo, irmã. Nutella salva, vai por mim.
Sinceramente? Acho que a Laurinha vai demorar muito para se adaptar na creche, mas acho que essa tua nova estratégia pode dar certo.
Beijos e força na peruca. Qualquer coisa, estou aqui.
Flore! FELIZ ANIVERSÁRIO!!
Espero que nesse dia-tão-feliz você tenha sido presenteada com sorrisos das filhotas e do maridão, e - torçamos - que o tempo em Hamburgo tenha colaborado.
Só digo uma coisa: a sua trajetória é uma verdadeira inspiração. Parabéns por ser esta MULHER tão maravilhosa, forte, guerreira e vencedora!
Beijos e parabéns,
Nicole
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