domingo, 2 de junho de 2013

Antes tarde do que nunca: o causo

Eu digo que vou contar já já um causo e aí todas ficam gripadas ao mesmo tempo, o que é inversamente compatível com a disponibilidade para sentar à frente do computador. Mas vamos lá.

 Minha mãe sempre foi neurótica pra deixar eu sair sozinha, só fui pra escola sem a sua companhia com 12 anos e tempos mais tarde ela me confessou que sempre me seguia o caminho todo escondido. Dormir em casa de amigas, conto nos dedos de uma mão as vezes que aconteceram. Mas com 15 anos eu participei de um encontro de adolescentes da igreja católica no meu colégio, depois mais tarde um de jovens, e formamos um grupo legal que sempre combinava festas, saídas pro cinema e disco. E aos poucos minha mãe foi deixando eu sair mais com os amigos, sempre com hora pra voltar e todos os detalhes de quem ia buscar ou quem ia dirigir.

Só que eu sabia que se o programa fosse mais longe, ela não deixava e um dia o grupo combinou de se encontrar na casa de dois meninos pra fazermos um sarau ( eu fazia parte do grupo que tocava violão). Eles moravam pra lá de Jacarepaguá, nem lembro mais o nome, era num sítio, e eu sabia que se contasse onde era, minha mãe não ia deixar. Estava tudo combinado, a carona com um rapaz do grupo que ela conhecia e uma outra amiga ia junto. Eu disse pra minha mãe que a festa era no Leblon e fiz minha amiga jurar que ia dizer pra mãe dela a mesma coisa. Fomos.

Estávamos lá nos divertindo e o tempo foi fechando, fechando e de repente caiu uma daquelas chuvas de verão que duram horas e alagam tudo. Já naquela época o Rio ficava alagado quando isso acontecia. Resultado, ficamos presos no sítio, não tinha telefone lá e celular ainda não existia. Foi me dando um medo... o povo todo numa boa, mas eu que tinha mentido pra minha mãe, a essa hora já sabia que não estaria em casa na hora marcada. E minha amiga ainda no meu ouvido "Eu te idsse que a gente não devia ter mentido". Bom, resumo da ópera, eu sei que só conseguimos voltar pra casa já de madrugada, tive que contar a mentira pra minha mãe e devo ter levado uma boa bronca, não me lembro mais, devo ter bloqueado da memória hahaha. Não aconteceu nada demais, mas poderia ter acontecido. O rapaz que estava dirigindo também bebeu nesta noite, que eu nem sabia que ia rolar bebida, e depois fiquei muito P@#$% de ter pego carona com ele.

Da outra vez, eu tinha uma apresentação de um coral num hotel e tínhamos que ir de camisa branca e calça preta. Minha mãe tinha uma calça linda de seda preta que eu queria usar e ela me proibiu. Disse que não, não me lembro mais porque, provavelmente porque era de um conjunto super chique dela e não queria que estragasse, e me deu como opção uma saia que eu achei horrenda. Ela saiu para trabalhar e eu fui lá e peguei a calça de seda e vesti. Pensei "Eu volto antes dela chegar e ela nem vai saber". Fui pra apresentação e enquanto nós ensaiávamos antes de começar eu me abaixei pra pegar alguma coisa e só ouvi o barulho. A perna da calça rasgou de cima abaixo. Nem dava pra disfarçar, nem pra consertar, estragou a calça pra sempre. Voltei pra casa aos prantos e assim fiquei até ela chegar. Quando eu contei entre soluços morrendo de medo de levar uma bronca, só me lembro dela dizer que nem ia me dizer nada, que eu já tinha sofrido a tarde inteira, mas que isso era pra eu aprender a não tentar passar a perna nela, que quando mãe fala, a gente não deve fazer o contrário.

E olha, eu acho que deve existir realmente alguma conspiração universal que dá sempre razão às mães. No meu caso, como dá pra perceber, não foi nada assim tão dramático, só desobediência de criança que está começando a crescer, porque de resto eu sempre fui super tranquila e nunca dei trabalho em escola e tive poucos namorados, não me envolvi com nada perigoso e sempre fui do time das responsáveis. Espero que o máximo que minhas filhas aprontem seja roubar uma roupa minha escondida e se isso acontecer, nem vou brigar :).

2 comentários:

rose disse...

HAHAHAHA!!!
Existe um ditado "mentira tem perna curta" rsrs
Minha sorte é que vc sempre foi da paz.
bjs

Eliana disse...

Ohhh as travessuras! Que azar do caramba o lance da calça ter rasgado hahahah
Oh Dona Rose, saudade né do tempo quando Jacarepaguá era o lugar mais longe da face da Terra! rs
Minha mãe "implicava" com amizades...Bom nem preciso dizer que ela tinha razão! hahaha
Não me lembro de ter aprontado algo, porque qualquer tentativa era frustrada já na imaginação hahaha. Porque mãe lê pensamentos também hahahaha
Minha mãe já baixou na nigth, atrás do meu irmão mais novo. Entrou, fez acender as luzes, a música parou, foi aquele auê. Ela fez o DJ anunciar no recinto o nome dele hahahahah Claro, ele com certeza saiu de mansinho e ela o pegou de jeito em casa! rs...Esta cena deve ter sido hilária! rs