quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Pacote integração alemã

Semana passada me senti muito integrada na sociedade alemã. Primeiro foi assistir ao debate político em horário nobre pela TV com os dois principais candidatos ao cargo de primeiro ministro nas eleições em setembro. A Merkel tentando se reeleger e o Steinbrück na oposição. Pra mim, que sou avessa a poliítica, ficar sentada amarradona no que estava sendo discutido, me levou realmente a pensar em quanto mudei nos últimos tempos nesta vida de imigrante. O segundo acontecimento foi o batizado do filho da minha comadre alemã, e agora somos madrinhas de mão dupla, ela da Laura e eu do filho dela mais novo. Não é lindo? E na recepção depois na casa dela, éramos os únicos espécimes estrangeiros. É como ser um abacaxi na terra das maçãs, entendem? Não há uma única vez que alguma conversa não se situe em torno de como educo minhas crianças em duas línguas, em quanto tempo levei para aprender alemão, etc etc ade infinitum.

Fato é que os alemães não estão acostumados com estrangeiros que não são pobres coitados precisando de ajuda e que lhes façam parecer a cereja do bolo e salvadores da humanidade. Quando eu digo que a Julia é a melhor aluna da turma, recebo erguidas de sobrancelhas surpresas, como se isso fosse praticamente impossível.

E pra completar o pacote integração total, comemoramos o aniversário da primogênita no estádio de futebol do principal time de Hamburgo, o HSV. Arrasei geral e acho que subi no ranking das festinhas infantis das mães da turma da escola. Teve tour guiada no estádio fechado só pra gente, várias brincadeiras imitando treino de futebol dos jogadores profissionais, almoço de nuggets com batata frita, visita do Dino Herrman, o mascote do time, visitas aos vestiários, sala de imprensa, e claro, a entrada em campo pra foto oficial do time. Três horas de diversão garantida (eu e marido curtimos tanto quanto as crianças). Várias mães me perguntaram como tive essa ideia e me senti a mãe-top-10-no-quesito-originalidade hahahaha. Gente, manda no Google "Kindergeburtstag-Hamburg"e se joga!

Agora os fatos em fotos!






6 comentários:

rose disse...

Super original. Certeza que a galera adorou.
Integração nota 10 mesmo.
Beijocas

Monique disse...

Adorei sua ideia pra comemorar o aniversario da filha e ainda ganhar o top de popularidade entre as maes e as criancas, acho que ate eu curtiria uma festa assim...rsrs. Achei interessante sua perspectiva sobre como os alemas lidam com imigrantes, especialmente o que nao estavam em areas de risco ou afins, eu ja convivi com duas alemas por aqui, elas eram au pair e eram meio arrogantes sabe, bem do jeito que voce falou, se achavam a cereja do bolo e melhor que todo o resto, agora me bateu uma curiosidade e nao sei se voce saberia responder ou ta a fim (se nao tudo bem) mas o alemaes sao assim arrogantes com pessoas de outros paises? Como eles encaram os imigrantes por ai?...eu sei sao duas perguntas ne...rsrs...mas e que esse tipo de tema sempre me deixa curiosa.
Beijinhos

Eve disse...

Que ótimo! :)
Mas, essa de levantar a sombrancelha por conta de rendimento escolar tenho por aqui tb. Eles ficam espantados. Que coisa, nao? Hunf!

Eliana disse...

Ahhh mas que idéia super hahaha arrasou! Deve ter sido o máximo o tour pelo estádio...a foto das meninas na bancada de entrevista está o máximo.
Agora vc tá chique, tem até comadre e afilhado alemãos!
Parabéns pra Júlia, muita felicidade e saúde pra ela. Bjs

Ma disse...

Oi Monique!

Eu poderia escrever horas e horas pra responder sua pergunta, este é um tema recorrente na sociedade alemã, a integracão-aceitação dos estrangeiros. O lance é que no pós-guerra os alemães "importaram" mão de obra estrangeira, leia-se turca, pra reconstruir tudo. Mas foi mão de obra mesmo, não vieram professores universitários, e agora os alemães se ressentem de gerações que nasceram e cresceram aqui sem falar alemão, que vivem em guetos culturais, que tem nível educacional baixo. Junta-se a isso o fato de a Alemanha ter muitos asilados de países africanos, agora a última leva veio da Síria. É complicado. O estrangeiro digamos assim, letrado, é minoria por aqui. Agora quanto ao fato de serem arrogantes, eu diria que eles são convictos de que têm sempre a razão, de que o jeito alemão é o único jeito certo de se fazer qualquer coisa. Mas isso é quase que genético, passa de pai pra filho, é tão natural quanto comer salsicha e batata. Em excesso pode se tornar arrogância mesmo, e muitos o são. A tática é não se deixar intimidar por eles e confiar também no próprio taco. Bjs

Anônimo disse...

Acho que consegui comentar. Vamos ver se dá certo.
Amygue, quando estive na Alemanha pela primeira vez vivi coisas inesquecíveis:
Cheguei numa festa e todo mundo me olhou com cara de decepção porque eu era BRANCA. Um alemão veio e perguntou por que eu era branca se eu era do Brasil;
Num jantar, um casal saca de uma foto das casas-barco de Manaus e pergunta como é morar numa. Ficaram chocados de saber que morava numa casa normal;
Perguntaram se tinha jogos de inverno no Brasil
etc
Adorei a tua observação do imigrante porque penso que seja mesmo isso. E quando você abre a boca e fala alemão direitinho (ok, escorregando violentamente na declinação), ficam passados e perguntam como, onde e por quê estudei alemão. Quando falo que há Goethe Institut no Brasil, CHOQUE TOTAL.
Beijonaomeligaporquesouantisocial,
Marcia, Lissabon.