Antes de começar, deixa eu dizer de novo que fiquei animadíssima com os comentários de recepção do retorno desta filha pródiga ao mundo blogístico. E respondi a todo mundo lá mesmo na caixa de comentários do post anterior, ok? É isso aí, o ano começou!
A Eliana perguntou sobre a viagem sozinha da Julia, não é agora, só em setembro com a escola, mas meu coração já sofre palpitações só de imaginar. Conto mais depois.
Então que volta e meia tocam a campainha aqui em casa um pessoal de uma igreja inglesa que tem na região. Uma coisa inimaginável no Brasil, onde ninguém sai tocando na porta das pessoas sem antes ter que passar por grades, porteiro eletrônico, porteiro humano e interfone. Bem, ao que parece, até onde eu sei, os crimes em residências aqui em Hamburgo acontecem praticamente só quando não há moradores em casa, geralmente na época do verão, quando está todo mundo nas ilhas de Mallorca. Eu ODEIO que toquem a campainha quando não estou esperando ninguém, e quase sempre acontece quando estou de pijama, descabelada e sem escovar os dentes.
Então que hoje tocou a senhorinha falando inglês, porque ela vê nosso sobrenome das origens irlandesas do maridão na porta e vem procurar ovelhas para seu rebanho speaking english. Abro a porta, ela começa com aquele sorriso simpático, pergunta se falo inglês, eu digo que sim, e na continuidade descobre que não tenho nada de britânica. Ainda lhe dou uma lição de história grátis num breve resumo de como o Brasil sofreu a influência da imigração européia, tentando me desvencilhar dela. Mas ela não se abala e saca um folheto em espanhol, porque não achou em português continuando a catequese. Eu, que estava trabalhando e já me arrependi dez vezes de não ter desligado a campainha, explico que ela não é a primeira a vir aqui da tal igreja, mas que não estava interessada. E ela não se dá por vencida. Segue o diálogo:
- Mas se a senhora não acredita em Deus...
- Mas eu acredito em Deus sim.
-Ah, então se a senhora acredita em Deus...
- Acredito mas não estou interessada em ir na sua igreja.
- Mas é que todos nós nos indagamos de onde viemos, como será depois da morte, etc blá blá blá
- É verdade, mas eu acredito em um monte de coisas, sabe, uma mistureba, e realmente não estou interessada em trocar ideias sobre o assunto. Mas dá aqui o folheto em espanhol mesmo.
Ela vai embora. Toca o telefone. Homem falando alemão aceleradamente. Na terceira vez que eu pedi pra ele repetir quem ele era, entendi que era de uma associação ou sindicato, sei lá, de pequenos empresários e que eu estava registrada não sei aonde e que era ano de eleição de sei lá o quê. Expliquei ao senhorzinho que eu era registrada como autônoma e não pequena empresa e foi o fim do diálogo. Não precisarei votar em nada, menos uma.
Horas mais tarde, vizinha alemã toca pedindo conselhos porque a amiga falou lá o que não devia e ela ficou magoada, e como ela me acha uma pessoa extremamente sensata, queria saber minha opinião. Ela já me disse isso várias vezes, já pensei em cobrar pelos conselhos sensatos, mas aí não faria jus ao meu espírito evoluído.
Uma hora depois, toca de novo o telefone e é uma amiga brasileira querendo umas dicas de como responder a um e-mail de uma proposta de trabalho que ela recebeu.
Minha cota de contato social hoje extrapolou.
11 comentários:
Desse jeito não sobra tempo pra vc trabalhar :) Vc é muito mas muito calma.
Bjs
quando alguém me chama de sensata ... me choca tanto, e rio muito pq pra chegar a esse tanto ou o mundo tá no fim ou a pessoa é doida ou eu sou esquisofrenica e como tal nem me dou conta.
Mas isso é quando gringo fala se fosse alemão falando eu acreditava kkkkkkkkk.
Tem dia que o mundo inteiro decidi conversar com a gente ne?!..rs. O jeito e respirar fundo e ignorar as chamadas...rs.
Beijinhos
Estou treinando pra ser monge na próxima encarnação ;)
Oi Rosa! Que bom ver vc por aqui tb! De alemão não se dúvida de nada! Se ela diz que sou sensata, quem sou eu para negar! Bj
Oi Monique! Até desisti de ler o livro e me refastelar no sofá, pra quem não gosta de campainha e telefone como eu foi uma overdose! Bj
Olha, eu poderia tecer inúmeros comentários relevantes mas eu queria mesmo é saber qual o sobrenome do marido, pode?
x
É Walsh, Nivea :)
extrapolou nada... oh vc escrevendo no blog novamente. hahahaha
bjs!
Parece uma coisa esta coisa de tocarem a campainha nas horas mais impróprias...quando tô escovadinha, de banho tomado e unhas feitas, nada acontece!rs Como aqui é apartamento e tem a porta principal fechada que só abre através do interfone, acontece pouco, porém tem sempre um vizinho que deixa um vendedor entrar e este vai de porta em porta. Aqui andou rolando estas coisas de roubo sim, de gente se passando por vendedor ou vendedor te passando conversa e vc "comprando algo" sem saber. Então para evitar a fadiga, costumo ignorar a campainha se não estou no aguardo de nada. Esta sua vizinha deve ser figura...mas...que seja tudo pelo social! rs
Sabe q isso foi o q mais me estranhou aqui, a campainha livre, p qq um tocar e eu, nos meus mais lindos pijama's feelings, me atrapalhando toda p poder atender ... Se não está no horário do correio, eu deixo tocando ( mas sempre espiando da janela da sala, oooobvio! ).
Bjs, Michelle
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