quinta-feira, 17 de abril de 2014

Passando rápido pra dar um alô

Sumi porque pra variar o bicho pegou por aqui. A Laura teve que entrar no antibiótico por causa da infecção de garganta, presente da primeira semana no Kindergarten, e aí já viu, aquela guerra pra fazer ela engolir o remédio. Eu também peguei uma gripe caprichada e fiquei me arrastando pra cumprir todas as tarefas diárias, só a Julia escapou dessa vez, amém.

Desde então, a Laura resolveu dar piti pra ir pra escola. Já antes de sair de casa, quando ela percebe a movimentação de colocar sapato, pegar mochila, empaca e começa a resmungar e chora "Eu não qué ir po Kindergarten". Todo mundo me abraça agora, obrigada. Eu finjo que não computei a informação e começo a fazer mil perguntas pra ver se ela distrai. "Vai querer levar a Kitty?", 'Quer ir com o sapato ou com a bota?, "Vamos de bicicleta ou de carrinho?""Andando?, Tá bom". Assim, vou fazendo tudo rápido e quando ela vê já está na porta do Kindergarten. Na hora de entrar na sala faz um beiço digno de fotografia, mas eu não me atrevo a fazer isso. Os olhos ficam marejados, vai ficando vermelha e o beicinho, ai esse beicinho ACABA comigo. Marido diz que é tudo uma tática inconsciente dela que Freud explica como o perverso polimorfo, ou seja lá o que isso seja, ser casada com gente inteligente demais às vezes da um trabalho que vocês nem imaginam. Ele diz que é tudo pra me manipular e ficar com pena e que eu caio direitinho. mas eu me faço de durona na frente dela, deixo com a professora, dou um beijo e saio rápido antes que tenha um momento de fraqueza. Na volta, quando vou buscar, a safada está brincando feliz da vida e me diz "Mamãe, hoje foi muito, muito legal!". E meu coração se aquieta. Mas no dia seguinte ela chora de novo na hora de ir como se tivesse tido amnésia durante o sono e o Kindergarten fosse a sucursal do inferno na terra e eu a megera que vai levar ela praquele lugar horrível. Só Freud mesmo.

Anteontem completamos 20 anos de namoro, marido ainda viajando, só volta hoje à noite. Há 20 anos atrás aquele rapaz magrinho foi me buscar de chevette azul pra irmos ao cinema assistir "A Família Buscapé". Ele sem graça, eu sem graça, encontramos o casal de amigos cupidos na porta do cinema e foi ali que tudo começou. Na verdade a gente já tinha se conhecido dois meses antes, no aniversário de uma amiga, ali deu um clique, mas eu ainda tinha outra história pra terminar. Daquele 15 de abril no cinema até hoje rolou foi coisa e eu tenho certeza que encontrei a tampa da minha panela.

O resto é história.

4 comentários:

rose disse...

E que bela história!!!

Laurinha é muito esperta e tem que ter coração forte pra aguentar o beicinho.
Bjs

Eliana disse...

Que romance, hein!?! Me fez lembrar aquele filme " A Dona da História" que eu sempre gosto de rever, acho tão fofo! E a beiçudinha é tinhosa, vai ver ela pensa que você é que fica triste de ficar sem ela e ela faz tudo isso pra vc achar que ela também está triste por ficar longe de você! hahahah Ui..fui longe demais agora hahah Felizmente, apesar dos pesares, pelo visto a danada tá curtindo bem a escola! Bjs e Boa Páscoa pra vocês aí!!!!

Nicole disse...

Flore, parabéns!! Um dia você precisa contar essa história direito para a gente ;)

E realmente, sinta-se abraçada por causa da Laura... olha, em termos de paciência, você virou minha ídola. Acho que eu já estaria correndo-em-círculos-berrando-arrancando-os-cabelos, sabe?

Beidjo beidjo,

Ma disse...

Meninas, nossa história é digna de novela das 8! um dia eu conto! bjs