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| Prova teórica da carteira de ciclista |
Esta semana acordei as 6:30h todos os dias, como sempre, pra dar conta de ficar apresentável a sociedade e colocar as meninas prontas paras suas respectivas escolas antes das 8. Como boa mãe integrada que sou, voluntariei-me para acompanhar a turma da Julia na segunda-feira na prova prática pra tirar a carteira de ciclista, porque bicicleta aqui é coisa séria. Desde a terceira série eles treinam teoria e prática de regras de trânsito com uma policial que vai à escola dar aula e agora, passando a prova, teória e prática (!!!) recebem autorização para andarem sozinhos de bike. Rodamos três horas pelo bairro, a policial na frente parando de vez em quando pra dar umas instruções e eu atrás, e já contei como esporte do dia.
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| Tem que saber as regras na ponta da língua |
Estudei matemática que eu
adoro odeio pra prova de quarta-feira junto com a Julia e ainda dei um
help nos problemas cabeludos da olimpíada de matemática interescolar que ela se propôs a participar, mesmo sem ser obrigatório, nessas horas a genética paterna fala mais forte, porque eu sou das letras e sempre corri dos números. Só eu sei a dor de cabeça que eu tenho pra fazer a contabilidade desta vida de autônoma empreendedora que eu arranjei pra mim.
Então que, quando tenho que controlar dever, tomar a matéria, enfim, ficar ali de olho no desenvolvimento escolar pra coisa não desandar, eu sempre penso que lá atrás, quando a gente pensa em ter filho a gente só pensa no bebezinho fofinho com cheirinho de talco e nem vislumbra o trabalho que dá botar menino de pé às 7 da matina e acompanhar tudo que envolve atividade escolar. Tem dias que recebo tanta circular de escola e Kindergarten com avisos de passeios, testes marcados, teatro pra ensaiar, matéria pra decorar, dinheiro de associação pra entregar, que na porta da minha geladeira não tem mais espaço pra colar mais nada. Leitoras que têm seus filhotes ainda só no Kindergarten, aproveitem, porque se vocês ainda por cima vivem em terra estrangeira como eu, isto significa ter que desvendar os mistérios da matemática em outra língua também e haja neurônios para isso. Porque pra Julia entender a explicação, como seu cérebro está formatado para entender as explicações em alemão, é nesta língua que eu tenho que me virar pra tirar as dúvidas dela. Já notei que quando eu explico em português não obtenho satisfação garantida, ela continua me olhando com cara de interrogação, mesmo falando português fluentemente, não é a mesma coisa. Estou expandindo meu vocabulário com palavras do tipo fração, divisão, nomes de figuras geométricas de inúmeros lados e até problema de matemática tem outro nome,
Sachrechnen, não podia ser problema mesmo?
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| Batendo um PF |
Fui ao supermercado todos os dias, porque sempre faltava uma coisa. Ando muito desorganizada no quesito administração doméstica atualmente. Como marido fica fora a semana toda, eu com preguiça de cozinhar, faço uma panelona de feijão, outra de arroz e invento um legume rapidinho pra complementar. Congelo o feijão e o arroz em porções para as refeições da semana e de noite faço só um lanche. Essa de cozinhar feijão ininterruptamente agora não advém do meu amor incondicional às raízes brasileiras, até um tempo atrás era só uma vez por mês e eventualmente nem isso. Mas eis que Laura agora resolveu ampliar seus horizontes gastronômicos e gostou do nosso arroz com feijão, só caldinho, não pode cair um grão no prato, nem sombra de casca que ela invoca a cara e não come, mas já foi um progresso outrora inimaginável. Tem que rolar um pouco de batata palha misturado também pra fazer croc-croc e assim ela come sozinha o prato inteiro que eu coloco à sua frente. É uma felicidade indescritível pra mim, só quem tem um filho chato pra comer vai me entender, e por isso eu encosto a barriga no fogão e deixo a casa com aquele cheirinho de alho refogado.
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| Só no café pra dar conta da jornada |
Fui dormir todas as noites pra lá de meia-noite pra dar conta dos prazos das revisões dos tratados de pesquisas farmacêuticas interessantíssimas em prol da cura do câncer, dessa vez foram só 773 páginas, fiquei quase zarolha. Aprendi novas palavras também nesta área, a melhor de todas foi
ubiquitously, que significa ubiquitariamente ou presente em todos os lugares. Na verdade é uma brochura de química farmacêutica e tive que sair catando na minha mente os arquivos do que significa dissolução, solução-mãe, aglutinante, outra delícia de vocabulário técnico. Quando achei que tivesse terminado, o gerente de projetos da agência italiana me comunicou que ainda falta a última parte que ele vai me enviar HOJE, feriado na Alemanha. Ou seja, terei que trabalhar no fim de semana.
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| Nasce uma artista plástica |
Mas a vantagem de ser autônoma e trabalhar de casa é que posso acompanhar as meninas em todas as atividades, ficar de bobeira no parquinho à tarde, mesmo que isso signifique menos horas de sono à noite pra botar o trabalho em dia, e ainda fazer essa bagunça de tinta na minha mesa da sala quando o tempo lá fora não está tão convidativo. Só não tá sobrando muito tempo pra escrever no blog :) estou perdoada?
6 comentários:
Olá, tudo bem? Fiquei com uma dúvida sobre bicicletas: se eu for pra Alemanha, tenho que fazer esse processo também? saberia me dizer como proceder?
bj
Leila
Oi Leila!
Não, não precisa, isso é só para as crianças, elas só podem andar sozinhas de bicicleta, ou seja, desacompanhadas de um adulto depois que fazem este teste.
Mas também se a criança for reprovada( na turma da Julia duas foram), isso não a impede de no futuro repetir a prova ou quando for maior de idade de andar de bicicleta sozinha. Eu ando e nunca fiz nada disso.
mas uma coisa curiosa é que se você adulto tem carteira de motorista aqui, se estiver andando de bicicleta e provocar um acidente, você perde pontos na carteira. Todo cuidado é pouco!
Abraços!
Com tantas atividades a mulher maravilha está perdendo pra você rsrs.
Estou adorando a nova fase da Laura com a comida.
Bjs
Adoro estes post tudo junto e misturado que você faz. Gente, tem que se virar nos 30 até pra resolver os problemas de matemática! Ser mãe nas zoropas não é para os fracos! E aqui, simplesmente, não dá pra fazer coisas do tipo: "ahhh hoje tá chovendo, coitadinho do meu bebê, não vou levar/mandar pra escola, não". Faltas, só em casos de doença.
Que bom que a Laura tá batendo um pratão de arroz com caldinho de feijão! rs Ela tá uma fofa!
Bom domingo pra vcs! Aqui hj tá bem chuvoso!
Oi Eliana! menina, só os fortes sobrevivem hahahah! Eu lembro da minha avó falando isso em dia de chuva, não precisava ir à escola se estivesse muito ruim o tempo, "pegar friagem". Aqui, passaríamos metade do ano ensinando as crianças em casa. Fez um domingo lindo e quente aqui, sem casacos!!!! Bjs
nossa, cansei só de ler... hehhehe... e eu achando que o pequeno ser quase caminhante desse trabalho...
beijokas e bons trabalhos por aí!!
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