quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eu gosto de ficar sozinha, gosto de silêncio, de fazer as coisas no meu tempo. Deve ser coisa de filha única. Não sou de fazer programações mirabolantes pros fins de semana nem planejamento de viagens com antecedência. Não sinto necessidade de ter mil e uma ideias de passeios, teatro, cinema, encontro com fulano, pensar nas férias de verão, outono, inverno. Gosto de fazer as coisas quando tenho vontade e resolvo geralmente tudo de sopetão.

Ando numa fase de preparar o ninho, não posso ver roupa suja acumulada que já coloco pra lavar, troco as toalhas só pra sentir o cheirinho de amaciante e passo um tempão jogando papel fora daqui, arrumando as roupas no armário, tudo enquanto a casa está silenciosa, marido no trabalho e filha na escola. Raramente coloco música pra ouvir, gosto desse silêncio. E como sei que isso está pra acabar por um bom tempo, vou curtindo as últimas semanas de tranquilidade.

Aí lá na escola, tem a mãe de uma amiguinha da Julia que mora a dois passos daqui de casa, que resolveu ser minha melhor amiga dos últimos tempos. Só que ela é hiperativa e já me confidenciou que toma uns remédios aí pra controlar a cachola (eu atraio). Ela me cansa. Todo santo dia ela faz questão de me dizer qual a programação dela praquela tarde, pro dia seguinte e eventualmente pro fim de semana também. No que eu tenho sempre que dizer a minha, que atualmente consiste em fazer compras, terminar uns trabalhinhos de revisão, estudar pra prova de motorista, cumprir os compromissos da pequena e só, ou seja, rotininha mais básica impossível. Não estou atrás de nada que me canse, porque a barriga já está pesadíssima e desta vez estou muito mais sem pique do que da primeira vez. Mas ela não se conforma e fica querendo me arrastar no fim de semana pra teatro de marionetes junto com a filha, que pelo visto segue os passos da mãe no quesito hiperatividade. Ontem ela me perguntou se a gente podia combinar das meninas se encontrarem pra brincar na semana depois da Páscoa! Jesus amado, eu não sei nem o que vou comer hoje à noite, e ela já quer escrever na agenda um play date entre duas crianças de 5 anos como se fosse consulta de dentista. Aí sabe quando a gente abre a boca pra falar e a criatura não sabe escutar e começa a falar mais? Gente, ando com minha paciência no dedão do pé pra isso. Aliás, ultimamente ando tolerância zero pra gente que só quer saber de falar e não pára pra escutar o que a gente diz. Minha outra amiga alemã também é assim.

Falei que depois da Páscoa provavelmente não daria pelo motivo óbvio de que estarei parindo ou recém parida com um recém-nascido em casa e que por um tempo não vai dar pra ter criança de fora tocando o rebu aqui. Ah, pra que! Ela já ficou ansiosa querendo saber como ela ia ser avisada do nascimento, e como, quando, onde, porque...

Isso que dá ser integrada demais.

6 comentários:

Marcita disse...

Eu sou igual a tua amiga :O
Mas no final da gravidez eu estava exactamente como você: queria silêncio. Eu falava pro meu marido:"vamos curtir esse silêncio".
Eu atraio essa gente problemática e é por isso que hoje eu raramente convido alguém pra minha casa porque a pessoa depois pensa que é íntima, essas coisas, e nunca mais me larga.

Anônimo disse...

Esse bb está chegando. É quase um comportamento padrão.
Eu espero que vc tenha pique pra contar o TP, curiooooosa pra saber como eles procedem por essas bandas.
Bj

Eliana disse...

Eu tenho visto novelas e amei uma cena da personagem da atriz Paola Oliveira, que faz uma personagem de uma super mulher decidida. Na cena uma alpinista social, intrometida e que quer a todo custo frequentar a elite carioca do Rio de Janeiro, se aproximou cheia de estratégia do querer marcar um chá, lanchinho, almoço. A resposta foi pá pum: Olha, viu, infelizmente eu estou muito ocupada com projetos pessoais e sem tempo para qualquer outra coisa na minha vida. Não conte comigo...e com licença! E ela saiu altiva sem olhar pra trás enquanto a outra ficou bem sem graça! rs... Às vezes a gente aprende um pouco com as novelas hahaha Ela foi de uma classe e de uma firmeza...que eu amei! hahah Agora que vc comentou sobre isso, é mais ou menos isso que vc tem que dizer, sem achar que a sua rotina é menos importante que da outra. Tem gente que gosta de apavorar e mostrar como tem compromissos e isso e aquilo, depreciando a nossa vida tranquila...Ahhh gente assim passa dos limites se não mantemos uma certa distância. Ihh falei muito rs

Ma disse...

Marcia,

Mas eu sou assim sempre, não é só agora em final de gravidez não. Bjs

Rosa,

Eu posso te falar de antemão como são as coisas aqui porque a Julia também nasceu em Hamburg de um parto ultra-mega-difícil e complicado. Eles são a priori favoráveis ao parto normal, o problema é que o limite dos médicos vai além do tolerável e na minha opinião em certas situações eles arriscam muito forçando uma barra pra ser normal. Bj

Eliana,

Muito boa a resposta da novela e eu já alemanizei o suficiente pra dar essa resposta :) Mas é bem o que vc falou,. tem gente que gosta de falar que tem mil e um coisas planejadas e por fazer pra dar um ar de importância. Eu tenho mil e uma coisas pra fazer, mas não saio contando pra todo mundo e prefiro sim, mil vezes curtir minha casa do que viajar de excursão e conhecer meio país por dia como muitos fazem. Bj

Daniela Santos-Hansen disse...

Só falta ela se convidar pra ir te visitar e te "ajudar" com o bebê.. (bate na madeira).

Chata demais.. como vc aguenta? Bjos

Anônimo disse...

Ma, vc é uma pessoa muito gentil, mesmo tendo alemanizado como vc mesmo diz. Este é o motivo.
Quando a nova moradora chegar vai acabar o sossego e tocar terror na galera. HAHAHA.
bjs
Marta