quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A coisa tá ficando séria

Junto com toda a movimentação de fim de ano chegou a hora de escolher a próxima escola da primogênita que concluirá a quarta-série em julho de 2015. E parece que está longe, mas a decisão e a matrícula é feita já agora em janeiro. Este mês acontecem as Informationsabend, ao pé da letra as noites informativas, para os pais dos futuros alunos. E a coisa tá corrida, minha gente, porque maridão passa a semana em Berlim e eu vou me desdobrando pra dar conta dos compromissos extras.

Tivemos há algumas semanas passadas, já nem sei quantas, a reunião com a professora da Julia, a tal reunião em que ela bota as cartas na mesa se a criança tem cacife pra dar conta do ginásio, considerada a escola mais forte. Na prática é assim: pimpolho tira boas notas e participa bem em sala de aula, levanta o dedo pra responder as perguntas (eles aqui dão MUITO valor a isso, aluno que não fala em sala de aula não tem vez), é ativo, resolve seus afazeres sem muita ajuda externa, tem um ritmo bom de aprendizado e não puxa o cabelo do vizinho, recebe a Empfehlung, a recomendação para o ginásio, em forma de histórico com notas e carta anexada com as palavrinhas mágicas. Se alguns dos requisitos não estiver uma Brastemp, a professora conversa com os pais sobre a outra opção escolar, que em Hamburgo significa a Stadtteilschule. A diferença entre as duas escolas é que o Gymnasium vai da 5a à 12a série e a Stadtteilschule da 5a à 13a série, ou seja, tem um ano a mais. É considerada uma escola com um ritmo mais lento. Mas as duas preparam e dão oportunidade para prestar o Abitur, a prova final cujo resultado e nota é o que define o passaporte para entrar em uma universidade.

Em outros estados alemães a divisão escolar é Gymnasium, Realschule e Hauptschule, numa escala de melhor para a mais fraca de todas. Para entrar em uma universidade só com diploma de Gymnasium. Mas tem muito jovem que conclui a Realschule e já vai cursar um curso profissionalizante técnico, que aqui é muito diferente do que a gente está acostumado no Brasil. Na terrinha, curso técnico não tem fama de ser bom, geralmente são para profissões consideradas mais mão-pra-toda-obra. Aqui não é assim e há uma infinidade de cursos técnicos conceituadíssimos e profissões que não se encontram em faculdades.

Mas é impossível fazer vocês compreenderem como todo o sistema funciona em poucos parágrafos, eu mesma levei anos para entender todas as nuances. Existem várias possibilidades e caminhos, e principalmente oportunidades para todos os cérebros em seus variados níveis pensantes.

Julia vai para o Gymnasium, não teria porque ser diferente., ela é excelente aluna, interessada e muito inteligente. Na conversa com a professora ela sugeriu um Gymnasium bilingue aqui da nossa região, pela facilidade dela com o inglês, ainda fruto de ter sido sua quase primeira língua nativa, já que ela começou efetivamente a falar quando morávamos na Escócia aos 2 anos. Mas ainda estamos resolvendo e nossa tendência é para outro Gymnasium, porque ela já tem o Português pra dar conta, acho que basta o inglês ser ensinado continuamente na escola, não precisa ainda ter que aprender geografia e história em inglês.

Bom, é isso, amanhã vou de noite à reunião da próxima escola pra conhecer, arrastando meu corpo gripado que já emendou a segunda gripe e ensaia uma sinusite. Estamos todos fungando, pra variar, como sempre quando começamos a congelar do lado de fora.






3 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pela sua filha: 2015 ginásio!

rose disse...

Parabéns pra minha Juju. Ela é tão novinha e já vai pro ginásio no próximo ano. Sei que ela vai dar conta por ser tão esperta mas que dá uma certa pena isso dá.
Melhoras pra todas.
Bjs

Eliana disse...

Gente, eu acho que isso é um peso e tanto pros pais: a escolha, que vai determinar o futuro da criança. Apesar que eu acredito que já nasce de um jeito e vai seguir assim. Com certeza há de dar tudo certo e Juju vai pra uma escola bem legal.