É tradição na escola dela todas as turmas de quarta-série montarem um musical e eles já estavam ensaiando e as mães sendo recrutadas para tarefas de organização desde agosto do ano passado. A peça chamava-se Historicus, contando uma história bem engraçadinha de um cientista maluco que viajava em uma máquina do tempo para tirar sua carteira de "viajador do espaço". Ele aterrisa em Hamburgo e sua missão é passear por várias épocas marcantes da cidade e levar um souvenir pra época dele. Tudo intercalado por músicas cantadas pelas crianças, uma verdadeira aula de história.
Cada criança tinha dois ou três personagens distribuídos pelos atos da peça. Em um deles Juju era um menino da década de 20 que só falava Plattdeutsch, o dialeto do norte da Alemanha. No final professores e várias mães vieram me perguntar como que ela sabia falar assim tão perfeitamente um dialeto antigo, sendo filha de brasileiros. Também não sei. Juju tem dom para línguas e pega fácil qualquer coisa que escute. E também gosta de desafios, então quando surgiu a oportunidade de fazer uma coisa diferente do resto, ela na mesma hora se prontificou a aprender. Babei.
Agora o que meu coração não aguentou foi quando ele cantaram no final uma música sobre a cidade, Hamburg an der Elbe, e um trecho dizia "Unsere Mütter, unsere Väter, kamen irgendwann hierher, manchmal früher, manchmal später, übers land und übers Meer..." (Nossas mães e nossos pais chegaram um dia por aqui, alguns mais cedo, outros mais tarde, por terra ou pelo mar). Coração deu aquela apertada e passou rapidamente um filme na minha cabeça desta vida de expatriada. Que coisa louca isso de criar filho em outra cultura, outro lugar tão longe de onde a gente nasceu.
Agora são mais dois meses de aulas e uma nova etapa começa depois das férias de verão. Já recebemos a carta da secretaria de educação dizendo para qual escola a Julia vai fazer o Gymnasium. Foi a escola que colocamos como segunda opção, porque a primeira ultrapassou o limite de matrículas. Ficamos bem felizes mesmo assim, porque na verdade era esta a nossa preferida, mas como a maioria dos amigos da escola ia para a outra, nós deixamos a Julia escolher qual ela queria colocar em primeiro lugar na lista, já que as duas eram boas escolas. No final o destino é que decidiu e ela vai para a que é considerada mais puxada, bilíngue inglês-alemão. Vai ser tudo novo, novos amigos, um pouco mais longe de casa, vamos ter que acordar mais cedo porque lá as aulas começam antes das 8, termina mais tarde, almoçam na escola todos juntos. Enfim, estou me preparando psicologicamente para as mudanças que vêm, mas vida com criança é assim mesmo, eles não ficam bebezinhos para sempre na barra da nossa saia e ser mãe de menina grande é muito legal.
Vou deixar dois vídeos do meu arquivo pessoal aí embaixo, mas é por pouco tempo.
2 comentários:
Eu fico emocionada quando leio sobre sua vida na Alemanha pois também não é fácil pra mãe da expatriada. :)
Adorei ver a cabecinha da Laura embaixo no vídeo assistindo a irmã, uma fofa.
Tudo estava lindo.
Sucesso pra Juju.
Bjs
Ah perdi, cheguei atrasada desta vez! rs Deve ter sido lindo esta festa da escola da Juju e imagino a emoção. Eu sempre penso nesta coisa de filhos fora da nossa terra, longe dos nossos. Aqui ainda teria metade da família perto, mas mesmo assim, não é a minha. É um desafio mesmo. Que bom que deu tudo certo com a escola. Nossa, vai ser puxado mesmo...é, entrar no ritmo...mas a galera aí não é fraca, não! E nem a Dona Rose, né, pra aguentar as emoções de longe! Beijos pra vcs!
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