sábado, 18 de outubro de 2014

Minha vida tranquila

Laura está numa daquelas fases desafiadoras, em que eu tenho que contar até 1000, porque 10 é pouco, pra não esbravejar com cada ataque de manha. Geralmente os ataques dela são desencadeados por nada ou por tudo. Eu vivo pisando em ovos com uma criança de 3 anos que de vez em sempre se comporta com uma daquelas bombas-relógio que a gente nunca sabe se vai puxar o fio da cor errada e o treco vai explodir. E eu até me acho paciente, mas confesso que não sou do tipo mãe-compreensiva-de-livro-de-educação ou mãe modelo de internet dessas que são contra palmada-castigo-qualquer-tipo-de repreensão em prol da liberdade de expressão do ser pequeno. Sou contra bater sim, mas já dei uma palmada no fervor de uma birra. Imediatamente me arrependi e não pretendo repetir o feito, quem nunca? Bom, amiga, se você nunca, meus parabéns,  eu ainda estou em processo de evolução e não me orgulho disso. Sou adepta de botar a criança num canto para "pensar", mas e cadê que ela fica no canto? Geralmente ela fica esperneando de barriga pra baixo no chão e seu gogó alcança decimeis inimagináveis.

Então, voltando à vaca fria, como dizia minha avó, ela está TERRÍVEL. E aí a Julia entra na mesma vibe e parece que tem 3 anos também e as duas batem boca e uma chora pra um lado, a outra fecha a cara pro outro, é um Deus nos acuda todo santo dia. Eu disse aqui no blog, lá quando ainda estava grávida da caçula, que como sou filha única ia ter que aprender a ser mãe de duas, a como decifrar este mundo de irmãos. Gente, que luta! Juro, às vezes parece que a terceira guerra mundial se instalou dentro da minha casa, sinto-me como aquele país nêutro que não pode tomar partido de ninguém senão fica mal na fita. Tensa.

Eu acho que de vez em quando exijo mais da compreensão da Julia no caos instalado porque ela "já" tem 9 anos, mas percebo que nestes conflitos não tem muita importância a diferença de idade entre elas, ela se sente sempre injustiçada quando venho com a frase "mas a Laura é pequena"ou "ela não entende porque é pequena ainda", e sai revirando os olhos pra cima numa postura pré-adolescente que já começa a se instalar. Nem preciso dizer que depois fico me sentindo a mãe megera que faz a mais velha sofrer em detrimento da caçula.

Aí quando tomo partido da mais velha, é a pequena que se debulha em lágrimas que daria pra encher um balde por minuto. Nunca vi de onde podem sair tantas lágrimas.

Elas também são capazes de cenas de amor explícito que me faz chorar de emoção, se abraçam e se beijam trocando juras de amor fraternal eterno. Mas isso só dura até elas começarem a discordar em quem vai ser o quê na próxima brincadeira.

Laura tem pressa. Ela quer correr atrás dos 5 anos de independência que a separam da irmã e por isso ela vive estressada, quer fazer tudo mais rápido que a Julia, quer chegar antes no banheiro, quer lavar as mãos primeiro e o principal, quer ganhar sempre em todas as brincadeiras, como qualquer criança nesta idade. Juju não admite isso e quando joga qualquer coisa é pra ganhar, não tem essa de facilitar a vida da outra que é café com leite. Eu explico que demora até a criança aprender a perder, que quando a Laura ficar maiorzinha ela vai ter que aprender, mas que a gente releva um pouco quando é menor e blá blá blá, lá sai ela revirando os olhos. Definitivamente não nasci pra diplomata.


Os olhos fechando em 3...2...1

Anteontem inventei de fazer uma festa do pijama com elas, coloquei colchões na sala, acampamos eu e as duas ali, comemos pizza e assistimos dois filmes até cada uma capotar pra um lado. Duzentos bichos de pelúcia e almofadas participaram do evento também. De manhã, assistimos pela milionésima vez o primeiro filme do Harry Potter, eu e Julia, porque a Laura pulava em volta dos colchões dizendo que era um bebê cavalo e trouxe metade do quarto delas pra sala. Às quatro da tarde  eu já estava podre, vesti todo mundo, com a pequena chorando porque não queria botar o sapato, não queria fazer xixi antes de sair, não queria vestir o casaco... e rumei em direção ao shopping que tem aqui perto. Deixei elas durante uma hora na creche de lá e fui tomar um café no Starbucks e me atualizar do mundo facebookiano e ouvir meus próprios pensamentos.
Quem foi que teve essa ideia de acampar na sala?

São as férias escolares de outono e ainda tem mais uma semana pela frente.







6 comentários:

rose disse...

Volta a repetir, monotonia não existe na sua casa rsrs
São duas gostosuras e isso faz parte do pacote.

bjs























rose disse...

Esqueci de dizer, adorei o acampamento na sala :)

Anônimo disse...

Ah! São tantas emoções!
Tudo normal Ma.
bj

Nicole disse...

Menina, quando eu leio o que você escreve da Laura, fico pensando COMO VOCÊ É DE FERRO. Tá de parabéns.

Eu já teria ensandecido.

Beijo!

Eliana disse...

Bom, a diferença de idade é grande entre elas, então normal esta ziquizira aí mesmo hahaha E a fase dos 3 anos dizem ser a pior de todos os tempos. O jeito é ir controlando a balança entre as duas. O bom é que você se mantém consciente e é capaz de ver o lado de cada uma delas. Os sobrinhos vieram ficar aqui em casa, pela primeira vez. A menina de 4 anos, meeeedo. Ela sai com cada uma, meio destemida a titica! rs E lá na casa da minha amiga, na Espanha, os dois meninos: se amam e se matam! Eu já vi cada duelo lá pela webcam, ao vivo e à cores hahahah A diferença de idade deles é também de 5 anos. O pequeno quer o território do maior e o maior não quer saber do pequeno...é um salve-se quem puder. rs Boas férias!

Clarissa disse...

Me identifiquei muito, tenho tambem duas de 9 e 3 anos...Não lembro de toda esta dificuldade com os 3 anos da minha mais velha, mas agora minha pequena faz birra e chora; e a maior entra na mesma disputa de atenção.
Paciencia...paciencia é o meu mantra! Boa sorte